Algebra de mapas na avaliacao das caracteristicas da terra para reflorestamento – parte 2: metodologia
Seguindo o paper dessa semana (Dengiz et al., African Journal of Agricultural Research, v. 5(12), Junho de 2010), vamos agora tratar da metodologia utilizada no estudo, realizado na Turquia.
Na região, foram encontrados 8 tipos de solos diferentes, e o mapeamento de potencial teve como unidade básica as chamadas “unidades de mapeamento de terra” do mapa de solos, para as quais diversas características físicas e químicas eram previamente conhecidas. Dessas características, 8 foram utilizadas como fatores na determinação do índice final de adequação considerando cada espécie de reflorestamento observada. Cada unidade de mapeamento de terra recebeu um valor de 0 (não adequado) a 100 (mais adequado) para cada uma das 8 características consideradas, compondo o índice final. À nota final do índice de cada unidade de mapeamento de terra associou-se a classe de adequação como segue:
Nota Definição
>80 Altamento adequado (S1)
60-80 Moderadamento adequado (S2)
30-60 Marginalmente adequado (S3)
<30 Inadequado (N)
Os 8 fatores que compõem a nota final do índice são: (A) drenagem; (B) profundidade do solo; (C) textura; (D) fração grosseira; (E) fatores químicos do solo que consistem de matéria orgânica; (F) reatividade do solo; (G) salinidade ou condutividade elétrica e (H) Carbonato de cálcio. A nota final foi obtida com a seguinte fórmula:
onde FI é a nota final do índice e Rmax é a maior nota média.
As camadas de informação de cada característica considerada foram sobrepostas espacialmente, gerando o mapa final do índice para cada espécie de acordo com a fórmula acima, em ambiente SIG.
Por: Rodrigo Sperb
Algebra de mapas na avaliacao das características da terra para reflorestamento – parte 1: apresentando o problema
Um dos grandes pontos fortes da modelagem em SIG é permitir avaliar conjuntamente as diferentes características que ocorrem numa determinada região. Isso permite avaliar, por exemplo, o potencial que uma região tem para determinado tipo de exploração econômica de suas terras, considerando múltiplos critérios que possam definir a adequação ou não de uma área. O paper dessa semana (Dengiz et al., African Journal of Agricultural Research, v. 5(12), Junho de 2010) traz uma metodologia SIG para avaliar o potencial florestal de uma região através de uma abordagem paramétrica, com álgebra de mapas.
O estudo foi realizado na região central do Mar Negro, Turquia, e buscou avaliar o potencial florestal das áreas tendo como base diversas espécies utilizadas em reflorestamente. Os fatores que são utilizados na geração do mapa final de adequação são: clima, declividade, solo, topografia e vegetação.
Por: Rodrigo Sperb
Estimativa de area plantada com uso de Sensoriamento Remoto, SIG e Simulacao de Monte Carlo – parte 3: resultados e conclusao
Seguindo os posts anteriores (partes 1 e 2), chegamos aos “finalmentes” desse sumário do bom paper publicado pelos autores E.E. Maeda, P. Pellikka e B.J.F. Clark (African Journal of Agricultural Research, v. 5(13), 2010).
Conforme mencionado anteriormente, a inovação da metodologia proposta é possibilitar a obtenção de informações confiáveis sobre áreas plantadas dos diferentes tipos de cultivos através do suporte à definição de quantas amostras realizar em campo, tendo-se previamente uma curva de estimativa de erro médio quadrático (RMSE) para um certo intervalo de número de amostras. Com essa informação, os tomadores de decisão podem avaliar, em conjunto com outras variáveis como recursos e tempo disponíveis para o trabalho de campo, qual esquema de amostragem adotar.
O cálculo da curva de RMSE segue a lógica de calcular a diferença entre a proporção real (P) de um determindo tipo de plantação no CPS (Campo Plantado Sintético) – baseado em informações estatísticas de distribuição disponíveis para a região – e a proporção estimada (p) pelo método usando “n” amostras em cada iteração da Simulação de Monte Carlo (Fig. 1).
Após a aplicação do método, as curvas de RMSE geradas indicaram um erro de estimativa de área plantada variando entre cerca de 10% e menos de 1%, para número de amostras entre 10 e 1000, respectivamente. Uma Função que descreve a tendência foi encaixada nas curvas de RMSE, estatisticamente explicando quase a totalidade da variação desse erro - R²=0,985 (Fig. 2). Com essa importante informação, de quanto de erro se pode esperar na estimativa de área plantada para diferentes números de amostras, foram definidas 300 amostras para serem realizadas em campo, considerando as curvas de RMSE, os recursos e o tempo disponíveis para esta tarefa.
Das 300 amostras definidas, um total de 225 foram efetivamente implementadas devido a diversos empecilhos como falta de acesso ou mesmo de tempo para se implementar o conjunto total definido previsamente (300). Com o uso da Equação na Fig. 2 pôde-se então calcular o RMSE para as 225 amostras implementadas em campo, estimado em 2,14%.
Os resultados alcançados permitem afirmar a viabilidade do método, enquanto uma forma estruturada de reduzir custos e ao mesmo tempo obter informações confiáveis sobre a ocorrência de diferentes tipos de plantação numa determinada região. Isto porque se tem um controle prévio do nível de erro que se pode esperar após o trabalho de campo, possibilitando melhor avaliar o esquema de campo a ser implementado. Embora a metodologia tenha sido aplicada à estimativa de área plantada por diferentes tipos de cultivos, parece evidente que a mesma lógica poderia ser adaptada para estimar outros tipos de cobertura do solo, estendendo a aplicação do método.
Até o próximo paper, semana que vem! Bom Carnaval a todos.
Por: Rodrigo Sperb
Estimativa de area plantada com uso de Sensoriamento Remoto, SIG e Simulacao de Monte Carlo – parte 2: metodo proposto
Seguindo o post anterior (parte 1), vamos tratar da metodologia proposta pelos autores E.E. Maeda, P. Pellikka e B.J.F. Clark (African Journal of Agricultural Research, v. 5(13), 2010). É na verdade uma adaptação da abordagem utilizada por Epiphanio et al. (Bragantia, v. 61, 2002), que associa métodos estatísticos a SIG e Sensoriamento Remoto para estimar áreas plantadas..
O primeiro passo é realizar uma classificação de imagem para identificar as áreas onde a atividade agrícola está sendo desenvolvida. É a parte de Sensoriamento Remoto do método.
O segundo passo é o uso de SIG para definir uma esquema de amostragem para essas áreas, usando amostras estratificadas aleatórias. Este método estatístico consiste na divisão em grupos a serem amostrados (no caso, podemos falar de diferentes coberturas, que representam diferentes atividades agrícolas), sendo que cada grupo, ou strata, deve estar presente nas amostras. Este método garante que todos os grupos sejam amostrados, ao passo que a uma simples amostragem aleatória pode eventualmente deixar de representar um ou mais grupos, ou mesmo representar demais um mesmo grupo (quase todas as amostras podem cair no mesmo grupo, aleatoriamente).
Finalmente, uma Simulação de Monte Carlo é utlizada para quantificar o número de amostras necessárias e estimar os erros da análise de área plantada. Essa simulação levou em conta os erros inerentes à análise, o tempo e os recursos disponíveis para realizar o trabalho de campo.
Os tipos de plantação encontrados em cada amostra definida são, então, utilizados numa análise estatística para estimar a área plantada para cada tipo de plantação encontrada na área de estudo.
Entendendo a Simulação de Monte Carlo usada no método
Como o diferencial do método proposto pelos autores é justamente o uso da Simulação de Monte Carlo para definir o número de amostras que deveriam ser realizadas em campo, vamos dedicar algum tempo para entender como essa simulação é feita, no âmbito do estudo apresentado no paper.
A primeira etapa foi montar um modelo simples para simular as atividades de campo. Uma imagem representando o Campo Plantado Sintético (CPS) foi gerada com o mesmo número de pixels da categoria de atividade agrícola identificado na classificação da imagem. Associou-se aleatoriamente um tipo de plantação para cada pixel no CPS. Para manter uma proporção consistente, a distribuição de tipos de plantação encontrada em pesquisas anteriores realizadas na área foi utilizada para definir quantos pixels seriam atribuídos para cada tipo de plantação. Ou seja, suponha que 30% da área agrícola seja soja, 40% seja trigo e os restantes 30% seja arroz. Esta proporção é então mantida para atribuir aleatoriamente aos pixels do CPS um tipo de plantação.
A Simulação de Monte Carlo foi executada 100 vezes para cada número de amostras entre 10 e 1000, com controle do erro de estimativa da proporção de tipo de plantação usando o erro RMS (Erro Médio Quadrático). As curvas de erro RMS contra o número de amostras necessárias, segundo a Simulação de Monte Carlo, pôde então subsidiar a definição do número de amostras a serem realizadas, equacionado com tempo e os recursos disponíveis para o trabalho de campo.
No próximo post, vamos ver os resultados do estudo. Até a próxima!
Por: Rodrigo Sperb
Estimativa de area plantada com uso de Sensoriamento Remoto, SIG e Simulacao de Monte Carlo – parte 1: apresentando o problema
O próximo paper da nossa série semanal apresentando o que tem acontecido em ciência da geoinformação e observação da Terra muda um pouco o foco com relação aos anteriores. Aqueles que não conheciam e eventualmente gostaram dos fascinantes diagramas de Voronoi, assunto-base dos dois papers discutidos anteriormente, podem estar um pouco desapontados agora. Mas é preciso variar para cumprir nossa expectativa de trazer o que tem sido desenvolvido nas ciências por trás do nosso dia-a-dia em geoprocessamento.
Assim sendo, o paper da semana traz uma interessante mistura de Sensoriamento Remoto, SIG e Simulação de Monte Carlo no desenvolvimento de um método que, em última análise, tem por objetivo estimar áreas plantadas de forma eficiente, confiável e economicamente viável, o que é muito importante em países em desenvolvimento e de tamanho continental como o nosso. O método foi desenvolvido como um estudo de caso nas Colinas Taita, Quênia, África sub-saariana.
A meta proposta pelo método não é a de diretamente estimar a área plantada. Mas, sim, a de proporcionar uma estratégia de amostragem em campo que permita essa estimativa em combinação com Sensoriamento Remoto (delimitação dos campos plantados) e SIG (sistematização dos dados e informações) dentro de critérios de eficiência e confiabilidade, mas também vislumbrando um menor esforço dos dispendiosos trabalhos de campo.
Antes de mais nada, é importante entendermos do que trata a Simulação de Monte Carlo, já que o uso dela é o principal diferencial do método proposto. Em poucas palavrasm Monte Carlo é uma forma utilizada para aproximações numéricas de funções complexas. Para isso, fundamenta-se na geração de uma distribuição de probabilidade e o sorteio aleatório de números, em grande monta, na confiança de que as aproximações tendam a uma média que seria uma boa aproximação do resultado final.
Querem ver Monte Carlo num simples exemplo? Se você jogar um dado aleatoriamente, todos concordamos que a probabilidade de ocorrer qualquer um dos números, num dado não-viciado nem alterado, é de 1/6, certo? Acontece que podemos encontrar uma distribuição bem diferente dessa esperada (1/6 para cada número) caso joguemos aleatoriamente o dado somente por algumas vezes – digamos 10 vezes. Talvez aconteça que um certo número nunca tenha saído, e que um outrro, por sua vez, tenha dominado a distribuição da nossa simulação aleatório. Agora, basta jogarmos o dado inúmeras vezes, digamos mais de 1.000, que se pode ter bom grau de confiança de que o resultado da distribuição vai estar muito próximo do teórico esperado – 1/6 para cada número!
É nesse princípio de convergência sobre a simulação aleatória repetida um grande número de vezes que está fundamentado o método de Monte Carlo. Mas ele precisa de uma distribuição teórica ou empírica inicial de probabilidade (tal qual o dado tem a probabilidade de 1/6 para cada número, por exemplo) de ocorrência de valores para que a simulação seja tanto mais confiável.
Bom, curiosos para saber o desenrolar desse interessante paper? Eu também. Mas vamos ter que esperar o próximo post. Até a próxima!
Por: Rodrigo Sperb
Criar plugin para TerraView
Tutorial para configurar as bibliotecas
TerraView e Qt 3 no Visual Studio 2003.
Por: Joao Tacio
1. Introdução
Este tutorial tem o objetivo de explicar como configurar o ambiente de
programação para desenvolver aplicações utilizando a IDE Visual Studio 2003,
e as bibliotecas TerraView e Qt 3.
2. Configurar TortoiseCVS para acessar o repositório do TerraLib.
Após instalar o TortoiseCVS, crie uma pasta na raiz do disco principal, por
exemplo TerraDIR e siga os passos abaixo:
• Clique com o botão direito sobre a pasta;
• Escolha SVN Checkout;
• A figura 1 apresenta a janela que vai aparecer.

Figura 1 - Tela de Checkout
Para acessar o repositório do TerraView, é necessário informar a URL of
repository, que deverá ser usado sempre o caminho atualizado no site do
TerraView, na guia Downloads e subitem Fontes (desenvolvedor).
A figura 2 apresenta o endereço acessado no dia 21/05/2010. Este tutorial vai utilizar a versão 3-3-1.

Figura 2 – Endereço para acessar o TerraView
3. Configura a biblioteca Qt.
Qt é uma biblioteca C++ que permite que você possa programar para Windows,
Unix/Linux e Mac, de modo portável, escrevendo o código uma única vez para
esses sistemas. Atualmente essa biblioteca pertence à Nokia. Para maiores
informações consulte o site trolltech.
Crie uma pasta em C:/, com o nome de Qt3 e em seguida baixe a biblioteca
para essa pasta. Para baixar a biblioteca Qt, siga os mesmos passos utilizados
ao obter a biblioteca TerraView porém, em URL of repository, insira o caminho:
https://qtwin.svn.sourceforge.net/svnroot/qtwin/qt-3/trunk ~ 40 MB
4. Variáveis de ambiente
As variáveis de ambiente são criadas a partir da tela de propriedades do sistema. Para exibir essa tela, clique em iniciar/painel de controle/sistema. Escolha a guia avançado e em seguida clique em variáveis de ambiente, conforme é apresentado na figura 3.

Figura 3 – Variáveis de ambiente
A seguir é necessário criar duas variáveis de ambiente (de usuário), QTDIR e QMAKESPEC. A figura 4 ilustra como essas variáveis são configuradas. Atenção o valor da variável QTDIR, deverá ser o diretório do Qt, QMAKESPEC varia conforme o compilador.

Figura 4 – Variáveis QTDIR e QMAKESPEC
Após criar QTDIR e QMAKESPEC, é necessário atualizar a variável Path (de usuário). Clique sobre a variável path, escolha a opção editar e sem seguida adicione ao final a linha (;%QDIR%\bin\), apresentado na figura 5.
Nota: Observe que existe um ponto e vírgula (;) antes da linha %QDIR%\bin\.

Figura 5 – Variável de ambiente Path
5. Realizar um Build da biblioteca Qt.
O compilação (Build) será realizado usando o Prompt de Comando do Visual Studio. Clique em iniciar/programas/Microsoft Visual Studio 2003/Visual Studio Tools/Visual Studio 2003 Command Prompt.
A figura 6 apresenta o Prompt de Comando.

Figura 6 - Prompt de comando do Visual Studio
Na tela do Prompt Command digite os comando abaixo:
• cd\ e pressione Enter;
• cd Qt3 Enter;
• digite configure Enter.
Aguarde todo o Build ser realizado. O tempo aproximado são 30 minutos. Após concluir o Build digite nmake, e aguarde pouco minutos. Para certificar-se que a instalação ocorreu de maneira correta, abra o projeto t1, no endereço C:\Qt3\tutorial\t1\ t1.vcproj. Faça um Build e execute o projeto para aparecer uma tela com um botão escrito Hello Word.
5.1 Atalho para a biblioteca Qt.
Pressione com o botão direito do mouse no arquivo designer.exe, que está em C:\Qt3\bin, escolha enviar para e por fim clique em área de trabalho(criar atalho).
6 Compilando o TerraView
O projeto TerraView no Visual Studio já vem configurado com a seqüência correta que os projetos agregados a ele serão compilados, portanto para compilar o TerraView basta selecionar o menu Build/Rebuild Solution. Caso não por possível compilar o projeto por falta de alguma configuração no Visual Studio, compile os projetos na seguinte ordem abaixo:
• libjpeg;
• tiff;
• shapelib;
• terralib;
• qtw;
• libspl;
• stat;
• terralibpdi;
• terraView.
A figura 7 apresenta a maneira de compilar os projetos separadamente. Clique com o botão direito sobre o projeto, por exemplo: libjpeg e escolha Rebuild.

Figura 7 – Rebuild projeto
6.3 Compilando Plugin no TerraView
Esta sessão apresenta os passos para inserir um plugin personalizado no TerraView. Primeiramente verifique se o plugin HelloWorld está criado no projeto do TerraView. Essa verificação é feita visualizando se existem a pasta HelloWorld, no caminho C:\FullTerraib\terraViewPlugins\HelloWorld. Caso o seu projeto não possua essa pasta, veja com criar os primeiros artifícios para o plugin no tutorial do TerraView 3.3.1 , páginas 3 até 14.
A ferramenta qmake da biblioteca Qt, será usada na criação de um projeto para o Visual Studio, através do arquivo de projeto do plugin (HelloWorld.pro). A figura 9 apresenta como criar o um projeto para o Visual Studio através da tela de Prompt de Comando. Inicie a janela do prompt de comando, através do caminho: iniciar/executar/digite cmd + Enter. No prompt de comando digite C:/Qt3/bin + Enter. Informe o caminho completo do arquivo HelloWorld.pro entre aspas duplas + Enter. Consulte a figura 8, para esclarecer as dúvidas.

Figura 8 – Criar projeto para Visual Studio usando o prompt de comando
O arquivo de projeto para o Visual Studio (HelloWorld.vcproj), será criado após terminar a execução do qmake. Para visualizá-lo, entre na pasta C:\FullTerraib\terraViewPlugins\HelloWorld.
O TerraView carrega os plugin´s que estão dentro da pasta C:\FullTerraib\terraView\windows\plugins. Antes de continuar, verifique que esta pasta não contém arquivos de projetos. O próximo passo é compilar o plugin do Visual Studio. Clique duas vezes sobre o arquivo de projeto HelloWorld.vcproj no diretório C:\FullTerraib\terraViewPlugins\HelloWorld, em seguida selecione o menu Build e escolha a opção Rebuild Solution. Consulte novamente a pasta C:\FullTerraib\terraView\windows\plugins e veja que todo o resultado da compilação do projeto. Pode fechar o Visual Studio.
O plugin HelloWorld já poderá ser visto. Abra novamente a solution do TerraView, no diretório C:\FullTerraib\terraView\windows\ terraView.sln e em seguida clique sobre o menu Build/Rebuild Solution. Assim que terminar o build com sucesso, clique em start debugging e será apresentado o plugin, conforme a figura 9.

Figura 9 – Plugin para TerraView
7 Erros comuns
7.1 Não encontrou qt.lib
Não foi possível encontrar o qt.lib. Clique com o botão direito sobre o projeto que gerou o erro e selecione propriedades para exibir a figura 10.

Figura 10 – Propriedades do projeto
Selecione a tag Linker e escolha input. No lugar de \lib\qt.lib, insira \lib\qt-mt3.lib.
7.2 (...Binary was not built with debug information...)
Clique com o botão direito sobre o projeto TerraView;
Escolha propriedades;
Selecione a guia Configuration Properties/CC++/Optimization
Optimization: escolha Disabled (/Od)

Selecione a guia Linker na guia Configuration Properties/ Linker/Debugging
Debugging Debug Info: escolha Yes (/DEBUG)

7.3 Erro ao compilar projeto qwt
Descrição do erro:
qwt error PRJ0019: A tool returned an error code from "Moc'ing .\..\src\qwt\include\qwt_wheel.h..."
Verifique se as variáveis de ambiente estão corretas
Nome da variável: QTDIR
Valor da variável: Diretório que está o Qt, por exemplo C:\Qt\3.2.0
Nome da variável: QMAKESPEC
Valor da variável: win32-msvc.net (para o compilador visual studio 2003)
Em seguida procure e selecione a variável path.
Nota: Geralmente a variável que necessita ser alterada é a variável de ambiente do sistema, porém já encontrei
algumas máquinas que por algum motivo, é necessário editar a variável de ambiente do usuário.
Para alterar o conteúdo da variável path, clique sobre o botão editar e adicione ao final -> ;%QDIR%\bin\.
Não esqueça do ponto-e-vírgula antes do sinal %.
Após verificar os itens acima, compile o projeto qwt. Casoo erro persista, clique com o botão direito
sobre o projeto qtw, selecione propriedades e faça a configuração abaixo.
Guia C C++/General/Additional Include Directories
..\..\src\qwt\include;"$(QTDIR)\include"
Guia Linker/Input
$(QTDIR)\lib\qt-mt3.lib
Se esse tutorial foi útil, deixe um comentário por favor. Obrigado
Referências
Configurar Qt para Windows. Disponível em http://qtwin.sourceforge.net/qt3-win32/compile-msvc-2005.php. Acesso 21/05/2010.
TortoiseCVS. Disponível em: http://www.tortoisecvs.org. Acesso 18/05/2010.
TerraView. Disponível em: http://www.terralib.org. Acesso 18/05/2010.
Trolltec. Disponível em: hhttp://www.trolltech.com. Acesso 18/05/2010.
Visual Studio. Disponível em: http://social.msdn.microsoft.com 11-06. Acesso 15/05/2010.
Construindo um Plugin - TerraView 3.3.1. Disponível em http://www.dpi.inpe.br/terraview/php/plugins.php. Acesso 11/05/2010.
Joao Tacio/TerraLab/UFOP-MG
Desenvolvendo um SIG para Suporte de Decisões Municipais
Atualmente temos no Brasil 5561 municípios, de diversos tamanhos. Gerenciar um município e todos os seus serviços é uma tarefa complicada, pela multiplicidade de usuários que devem ser atendidos (a população), e diversidade de serviços oferecidos (educação, saúde, segurança, lazer, moradia).
Como administrar tudo isso, de forma coesa e inteligente? Muito poucos municípios tem hoje a capacidade de construir um sistema de informações geográficas, por diversos motivos: preço do desenvolvimento de um sistema integrado, preço do software (licenças proprietárias), treinamento de mão-de-obra e manutenção deste centro de inteligência espacial.
Enfim, é muito caro coletar e organizar dados geográficos, mas é uma ação municipal que tem retorno imediato, não somente no caixa, mas em agilidade na prestação dos serviços e por conseguinte satisfação da população em geral.
Além disto, os custos para realizar diversas operações diminuem exponencialmente. Ordens de serviço são precisamente direcionadas ao problema, sem desperdícios ou prestando serviços desnecessários.
Iremos abordar em uma série de artigos a construção de um sistema de apoio de decisões para um prefeitura municipal fictícia. Serão utilizados softwares livres para o desenvolvimento desta solução, mas isto não lhe impede de desenvolver este tipo de sistema utilizando um software proprietário - os resultados práticos são os mesmos.
O tema será abordado em paralelo, mostrando tanto o esboço de uma arquitetura sistêmica, o desenho de um pequeno banco de dados espacial e a construção de um ambiente WEB para visualização das informações espaciais no navegador de internet comum.
Os primeiros artigos serão bastante simples e conforme caminharmos, iremos adicionar complexidade ao sistema, com consultas, relatórios e regras de negócio avançadas. Iremos adicionar inteligência ao sistema aos poucos.
Portanto leitor, seja bem vindo à esta série de artigos que estamos escrevendo com o intuito de mostrar o que Geoprocessamento realmente é. Esqueça os "mapinhas", pense em inteligência geográfica. Como sempre, você são encorajados à participarem ativamente deste processo, pelo blog ou via email. Aguardmos ansiosos pelo seu feedback.
1 - Arquitetura do sistema
Primeiramente precisamos pensar o que nosso sistema irá fazer, quem irá atender e como irá atender. Não é possível dentro de um prazo e custos razoáveis, atender todas as demandas de desenvolvimento que uma prefeitura municipal de médio porte terá. Mas é possível limitar este escopo e prever como o sistema deverá crescer. Por isso devemos ter em mente uma arquitetura que possa escalar e seja robusta.
Existem milhares de estudos sobre arquitetura que devemos fazer ANTES de iniciarmos um projeto desse porte. Mas não iremos realizar os estudos. Porque? Vamos construir um sistema pequeno para uma prefeitura pequena e não temos em mente muitos usuários simultâneos. O que quero deixar claro é que esta etapa deve existir e não pode ser descartada em qualquer projeto real e deve ser feito inclusive, por um profissional COMPETENTE.
Bem, o que nosso sistema irá fazer? Irá cartografar alguns temas de nossa cidade fictícia como lotes, quadras, praças, logradouros, bairros entre outros e disponibilizar a consulta destes temas via internet. Inicialmente, este será nosso objetivo. É uma missão bem simples, mas que já pode ajudar um administrador a entender seu espaço, seu município e seus habitantes.
O que precisamos para fazer isto? Logo de início, precisamos ter em mãos os dados espaciais a serem manipulados. Pelo fato de requerer custos elevados, muitas vezes nos deparamos com a falta de informação espacial para manipulação. Isso ocorre por, na maioria das vezes, o orçamento do lugar, cidade, estado, não cobrir a necessidade dos gastos totais local, o que redireciona os investimentos do lugar para problemas mais urgentes, ficando o planejamento do espaço em segundo plano.
Tendo em mãos estes dados, precisamos de uma forma confiável de armazena-los e lê-los, portanto precisamos de um banco de dados, geográfico! Só um banco de dados pode possibilitar multiplos usuários leitores, multiplos usuarios editores sem que haja quebra na consistência de informações. Para isto, a maioria dos bancos de dados relacionais, utiliza alguns princípios chamados de ACID (Atomicidade, Consistência, Isolamento e Durabilidade) detalhar isto aqui, mas fica para um próximo artigo) e são eles que garantem que tudo o que tenho dentro daquele banco de dados é uma informação verdadeira, ou seja, consistente e íntegra.
Como iremos inserir os dados no banco? Utilizaremos um software SIG desktop para a tarefa. Este tipo de software suporta conversão de coordenadas, edição de geometrias, customização de simbologia, geração de mapas temáticas, consultas complexas, entre outras funções. O importante é que este software ficará a disposição, em nosso caso fictício, de uma pequena parcela de funcionários da prefeitura, treinados e compententes para operar um software com toda esta complexidade. Não que todos não pudessem aprender, mas é melhor dividir para conquistar. Com um número reduzido de usuários responsável pela inserção/deleção/atualização de registros, temos maior segurança e podemos prevenir desastres em nossas preciosas bases cartográficas.
Além disso precisaremos de um servidor de mapas. Precisamos publicar nossas informações na internet, através de mapas coloridos. Um servidor de mapas é o responsável por entender os pedidos do navegador de internet ("me dê aquela extensão geográfica ali, com as camadas de logradouros, quadras e hidrografia, para ontem!") e traduzir sua resposta em gráficos. Em alguns casos, o servidor de mapas entende o pedido e gera as imagens, em outros, manda as informações para o navegador interpretar e desenhar aquele lindo mapa em sua tela.
1.1 - Escolha de ferramentas
Bem, escolhemos como banco de dados o PostgreSQL 8.4 com sua extensão espacial PostGIS 1.5. Porquê? Bem, conforme mencionamos no começo do artigo, iremos trabalhar com ferramentas livres, ao invés de proprietárias, mas existem algumas razões técnicas para isto:
- É o mais completo banco de dados (livre) da atualidade;
- O PostgreSQL é o banco de dados que faz menos extrapolações do padrão SQL. Portanto, desenvolver para PostgreSQL, quase sempre é estar de acordo com o padrão.
- O PostGIS, sua extensão espacial, é a mais madura do mercado. Tem o maior número de funções, funciona muito bem e com certeza dá uma lavada em outras implementações espaciais.
- O PostGIS segue o padrão aberto OGC (Open Geospatial Consortium), ou seja, informação dentro do PostGIS se comunica com todos os softwares de SIG/GIS que implementam o padrão.
- O PostGIS é livre e gratuito.
O PostgreSQL ainda nos permite interação com diversas linguagens de programação, para aumentar sua capacidade de análise espacial, como a pl/R e como a pl/python que nos irá ajudar a criar futuramente um ambiente web completo.
O software SIG desktop escolhido foi o QGIS. A resposta para esta escolha, é que antes de tudo, o Quantum GIS é um software livre! É um projeto que faz parte da OSGeo, e que roda em diferentes plataformas (Unix, Linux, MacOSX e Windows), além de suportar dados vetoriais, raster e formatos de banco de dados. Atrevés do QGIS, é possivel gerenciar, manipular e analisar os dados trabalhados, bem como compor mapas para impressão.
Para o servidor de mapas, iremos utilizar o GeoServer. O GeoServer é um projeto bastante maduro, é utilizado mundo afora e suporta os principais protocolos especificados pela OGC - Web Map Services, Web Feature Services, entre outros. Em conjunto com o GeoServer, usaremos o OpenLayers para trabalhar como cliente do GeoServer e construir nosso mapa - dentro do navegador.
2 - Temas e Feições
Em suma, um SIG armazena informações de forma relacional, da mesma forma que um banco de dados tradicional. A diferença é que o SIG permite e lhe dá
ferramentas para armazenar de forma eficiente informações espaciais: pontos, linhas, polígonos e outras geometrias mais complexas, como coleções de
geometrias, geometrias em três dimensões, etc..
As ferramentas que o sistema lhe fornece são composta basicamente de operações matemáticas sobre objetos dispostos em um plano euclidiano (existem ferramentas
avançadas que se dão em uma esfera, como a superfície da Terra), tais como: intersecção, união, disjunção, soma, subtração, distância, área, entre outras.
Existem diversas operações que podemos realizar com as geometrias dos objetos, e chamamos isto de análise espacial. É através da análise espacial e pesquisa relacional em um banco de dados que conseguimos os fantásticos resultados, que não seriam obtidos de nenhuma outra maneira.
Em nosso pequeno sistema, vamos armazenar algumas informações cruciais para a administração pública: sistema viário, quadras, lotes, bairros, linhas e pontos de ônibus e pontos de táxi. A administração de nossa prefeitura fictícia quer uma atualização cartográfica geral e um controle maior sobre o transporte neste município.
A prefeitura fictícia nos forneceu estas informações e nos mostrou como são armazenadas hoje. À partir daí podemos começar com a modelagem de dados e a construção de nosso banco de dados espacial.
2.1 - Sistema Viário
A prefeitura quer um levantamento e organização completa de seu sistema viário. Atualmente eles não tem nada armazenado em forma digital, mas querem uma solução que seja compatível com geocodificação, roteamento e sirva para construção dos itinerários de linhas de ônibus.
Bem, como temos requisitos funcionais (geocodificação e roteamento) precisamos pensar em uma forma de construir esta base de logradouros de uma forma que nos permite posteriormente, implantar estas funcionalidades para a prefeitura.
Uma estrutura relacional comumente aceita para representar este tipo de informações é criar uma linha por logradouro, de seu ponto inicial ao seu ponto final, indicando as seguintes informações: Código Logradouro,Tipo Logradouro, Nome Logradouro, CEP Logradouro. Mas temos nosso requisitos. Nosso sistema quase nunca teria uma linha de ônibus que segue um logradouro de seu início ao seu final, sem nenhuma virada, por exemplo. Temos ainda a questão de preparar o sistema para o roteamento e geocodificação. É muito mais prático, dividir este elemento "logradouro" em partes atômicas, que nunca irão se alterar (com exceção, claro, de uma alteração do traçado viário) ou ser divididos em pedaços menores por alguma necessidade (como um ônibus virar a esquina, por exemplo).
Definido isto, temos a seguinte estrutura: Código Logradouro, Código Trecho Logradouro, Tipo de Logradouro, Nome Logradouro, CEP Logradouro. Estamos apenas preparando a base para demandas futuras, então lembrem-se, não iremos implementar tudo de uma vez. Esta estrutura será suficiente. O importante é entender a divisão de informações que iremos realizar. Também vamos assumir que todo o traçado dos eixos serão realizados no sentido do tráfego, ou seja, o ponto inicial flui para o ponto final do logradouro ou trecho.
Neste esquema a tabela não está apropriadamente normalizada. Precisamos normalizá-la para um funcionamento eficiente de informações. Mas porque? Note que um logradouro terá um ou mais trechos, e estamos repetindo à cada trecho as informações Tipo de Logradouro e Nome de Logradouro. A normalização permitirá que entremos com esta informação apenas uma vez e referenciemos esta à uma outra tabela.
Em SQL, ficaria assim:
CREATE TABLE tp_logradouro
(
cd_tp_logradouro SERIAL NOT NULL, -- nossa chave primária
dc_tp_logradouro VARCHAR(30) NOT NULL, -- a descrição do tipo de logradouro
CONSTRAINT tp_logradouro_pk PRIMARY KEY (cd_tp_logradouro)
);
CREATE TABLE logradouro
(
cd_logradouro SERIAL NOT NULL, -- nossa chave primária
tp_logradouro INTEGER NOT NULL REFERENCES tp_logradouro (cd_tp_logradouro),
nm_logradouro VARCHAR(75) NOT NULL,
CONSTRAINT logradouro_pk PRIMARY KEY (cd_logradouro)
);
CREATE TABLE trecho_logradouro
(
cd_trecho SERIAL NOT NULL, -- nossa chave primária
cd_logradouro integer NOT NULL REFERENCES logradouro (cd_logradouro), -- aqui estamos referenciando a tabela logradouros.
no_vias integer NOT NULL,
no_faixas integer NOT NULL,
cep_trecho VARCHAR(9) NOT NULL DEFAULT '00000-000',
CONSTRAINT trecho_logradouro_pk PRIMARY KEY (cd_trecho)
);
CREATE TABLE numeracao_trecho_logradouro
(
cd_trecho INTEGER NOT NULL REFERENCES trecho_logradouro (cd_trecho),
no_inicial_esq INTEGER NOT NULL DEFAULT 0,
no_inicial_dir INTEGER NOT NULL DEFAULT 0,
no_final_esq INTEGER NOT NULL DEFAULT 0,
no_final_dir INTEGER NOT NULL DEFAULT 0,
-- já estamos dizendo que só podemos ter um trecho com estas informações.
-- não é possível repetir cd_trecho com numerações diferentes
CONSTRAINT numeracao_trecho_logradouro PRIMARY KEY(cd_trecho)
);
CREATE TABLE sentido_trecho_logradouro
(
cd_trecho INTEGER NOT NULL REFERENCES trecho_logradouro (cd_trecho),
dc_sentido VARCHAR(2) NOT NULL DEFAULT 'FT',
-- os valores possíves de sentido são FT (From To), TF (To From) e FF (From From - duas mãos)
CONSTRAINT sentido_trecho_logradouro_pk PRIMAKEY KEY (cd_trecho)
);
-- vamos adicionar uma coluna geométrica à trecho_logradouro
SELECT * FROM AddGeometryColumn('public','trecho_logradouro','the_geom',-1,'LINESTRING',2);
Com estas tabelas, modelamos toda a parte de sistema viário para nossa prefeitura. Não foi complicado né? Com estas tabelas, temos informações suficientes para estabelecer rotinas de geocodificação e roteamento parcial. Para estabelecermos um roteamento completo temos ainda de ter tabelas sobre as "viradas" possíves, também chamadas de turn tables.
Ainda vamos adicionar suporte para as turn-tables e quem sabe mais para frente, adicionamos em nossa aplicação o pgRouting, extensão do PostGIS responsável para realizar roteamento.
Por que modelar o sistema viário em primeiro lugar? Bem, o sistema viário, é de vital importância para qualquer cidade média do mundo e com uma sólida representação do SV podemos apoiar outras partes de nosso sistema no mesmo. Uma parte que dependerá completamente do "módulo" sistema viário será o módulo de transporte público, pois utilizaremos muito geocoding para construir automáticamente as rotas de ônibus, entre outras coisinhas.
A explicação do código:
A tabela logradouro irá armazenar toda nossa informação estática sobre um conjunto de trechos de mesmo nome. A tabela trecho irá conter as informações que variam de trecho para trecho, mesmo que aqueles dois trechos distintos pertençam ao mesmo logradouro.
O relacionamento descrito pelo código na tabela trecho_logradouro "REFERENCES...", indica que um trecho deve pertencer a apenas um logradouro válido na tabela logradouro. Evitamos assim erros e duplicação de informação. Por enquanto, nossa cidade e base de dados é pequena, mas imagine daqui alguns anos? Seria uma complicação manter isto organizado, caso não utilizassemos este formato.
Por último, adicionamos uma coluna geométrica do tipo LINESTRING à tabela trecho_logradouro. Agora podemos começar inserir informações geográficas nesta tabela.
Nota: o SRID (Spatial Reference ID) -1 foi utilizado pois estamos trabalhando com um município fictício. Aqui deve aparecer o código do seu sistema de referência / datum. Lembre-se disto durante toda série de artigos
.
No próximo artigo iremos trabalhar com o transporte público. Iremos modelar toda a parte de linhas, pontos de parada, sentidos de transporte (bairro - centro; centro - bairro), táxis, etc.
O que acharam?
Abraços,
George R. C. Silva
StackOverflow – mas para Sistemas de Informação Geográfica?
Bom dia pessoal.
Vocês conhecem o site StackOverflow? Bem, o StackOverflow é um site para perguntas e respostas sobre programação. O site tem um modelo interessante, onde cada usuário pode postar suas dúvidas, indicar algumas tags e claro, todo mundo pode responder. Existem alguns sites irmãos: SuperUser (perguntas e respostas sobre informática em geral), ServerFault e o Meta (tudo sobre o modelo StackOverflow).
O mais interessante, é que no StackOverflow, as pessoas avaliam as respostas. Quanto melhor a resposta, mais chances de ela ser votada e mais chances de ela ser considerada a escolhida como melhor resposta - tudo isto em troca de pontos de reputação. O site é muito legal.
Algumas semanas atrás, sugeri à um dos criadores do website à criar um StackOverflow, mas no assunto de GIS. O que o site teria como perguntas e respostas? Tudo sobre SIG/GIS, GNSS, topografia, utilização de softwares, metodologias, algoritmos, programação específica para SIG/GIS, enfim, tudo geoespacial.
Bem, ele não apoiou minha idéia, mas me deu um link para um site em que eles (os criadores do StackOverflow) abriram para a comunidade sugerir sites, com um processo todo elaborado, de definição de escopo, votação de perguntas on e off topic e uma fase de commitment.
Não é que o site está vingando? Atualmente estamos na fase de commitment com muitos usuários. Vi nomes de peso da OsGEO, bloggers importantes e diversas pessoas interessadas em colaborar.
Fica a sugestão: conheça o StackOverflow, o SuperUser ou o ServerFault e ajude o GIS StackOverflow à decolar! Lembrando que este projeto de site, logo logo deve estar no ar, não é específico de nenhuma tecnologia. Não estamos no limitando à ESRI ou à OpenSource. É geoespacial? Faz parte
Tão aí os links:
Abraços
George Silva
Dinâmica Espacial Criminal #1
Dinâmica Espacial Criminal: Entendendo o Comportamento Geográfico e Temporal da Criminalidade
Por: Adriano Hantequeste Gomes
A necessidade de correlacionar os mais diversos tipos de dados é fundamental para estudar praticamente todos os fenômenos da atualidade, não existe uma variável fora do contexto, sempre seu objeto de estudo estará correspondendo a influências de outras variáveis; e com a criminalidade e a violência não é diferente, as instituições que estão ligadas ou que estudam esta vertente, devem fazer o máximo possível em trazer novas fontes de dados e buscar integrar a base de ocorrências existente da segurança pública.
A interação de mapas e tabelas é interessante, mas a integração de um novo elemento – os gráficos, e conseqüentemente a estatística – pode trazer ainda mais a análise do fenômeno proposta neste trabalho, a fim de explicar porque certos indicadores estão crescendo tanto ou qual porcentagem dos crimes por dia da semana ou até mesmo por horário, a infinidade de soluções e respostas que a estatística pode nos trazer é surpreendente.
A proposta deste documento é selecionar algumas das regiões de alta concentração e aprofundar ainda mais o diagnóstico, buscando soluções mais específicas, analisando e expondo características peculiares à localidade de trabalho e correlacionando as informações dos crimes com o tempo, esta variante pode ser desdobrada em ano, mês, dia da semana e em horas do dia.
O primeiro experimento será trabalhar junto os Crimes Contra o Patrimônio com as Ocorrências de Trânsito, pois foi aparente que as regiões são bem similares, perceba na Figura 1, existem pelo menos 7 (sete) regiões idênticas, dentre elas são: Centro de Guarapari (Guarapari), Campo Grande (Cariacica), Centro de Vitória, Praia do Canto , Jardim da Penha (Vitória), Centro de Vila Velha e Praia da Costa (Vila Velha).

Mapa das maiores densidades de crimes contra o patrimônio e ocorrências de trânsito. Fonte: Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social – SESP (2008)
O caso de Campo Grande, Cariacica
Diante do que foi inicialmente proposto trabalharemos o bairro Campo Grande que atualmente é um grande shopping center a céu aberto; e como já foi dito concentra grande parte dos serviços públicos do município, tem como característica possuir dois logradouros com grande fluxo de pedestre e veículos – Rodovia BR 262 e a Avenida Expedita Garcia – são exatamente nessas avenidas que se concentram os comércios; os crimes contra o patrimônio e as ocorrências de trânsito, para mais informações, veja a Figura 2.
Com base na circunscrição do limite do bairro selecionamos os tipos de crimes mencionados a acima e criamos as Tabelas 1 e 2 e percebemos que incidentes contra o patrimônio é bem maior que os delitos de trânsito, e ao mesmo tempo os 5 (cincos) tipos de ocorrência mais cometidos, correspondem à 75% de todo grupo.
Tabela 1 – Crimes Contra o Patrimônio mais cometidos no Bairro Campo Grande (Cariacica)
|
Tipos de Ocorrência |
Total de Registros (2005 – 2007) |
(%) Em relação aos Crimes Contra o Patrimônio |
|
Furto de Veiculo (B01H) |
439 |
22,73% |
|
Roubo a Pessoa em Via Pública (B02A) |
288 |
14,91% |
|
Roubo em Estabelecimento Comercial (B02D) |
253 |
13,10% |
|
Furto em Estabelecimento Comercial (B01D) |
234 |
12,12% |
|
Roubo de Veículo (B02H) |
233 |
12,07% |
|
Sub-Total |
1.447 |
74,94% |
|
Total |
1.931 |
100,00 % |
Fonte: Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (SESP)
Tabela 2 – Ocorrências de Trânsito mais cometidas no Bairro Campo Grande (Cariacica)
|
Tipos de Ocorrência |
Total de Registros (2005 – 2007) |
(%) Em relação aos Crimes Contra o Patrimônio |
|
Colisão sem vítima (I01A) |
151 |
23,70% |
|
Outras Ocorrências de Trânsito (I99) |
109 |
17,11% |
|
Colisão com Vítima não Fatal (I01B) |
98 |
15,38% |
|
Atropelamento com Vítima Não Fatal (I04A) |
86 |
13,50% |
|
Choque sem Vítima (I01D) |
43 |
6,75% |
|
Sub-Total |
487 |
76,45% |
|
Total |
637 |
100,00 % |
Fonte: Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (SESP)

Mapa do bairro Campo Grande (Cariacica). Fonte: Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social - SESP (2008)
A comprovação que as variáveis dos cinco delitos mais cometidos apresentam grande influência em todo o grupo através das Figuras 3 e 4, através das informações mencionadas foi executado o teste de correlação para os dois grupos – crimes contra o patrimônio e ocorrências de trânsito – resultando em resposta de 0,94 para o primeiro grupo e 0,91 para o segundo. No segundo grupo de ocorrências fica ainda mais interessante, pois em um momento só acontecem os cinco dolos mencionados na Tabela 3 e em outras situações apenas ocorre uma ocorrência com tipificação fora do “grupo dos cinco”.

Gráfico da evolução dos crimes contra o patrimônio em Campo Grande - Cariacica (2005-2007). Fonte: SESP (2008)

Gráfico da evolução das ocorrências de trânsito e crimes contra o patrimônio em Campo Grande - Cariacica (2005-2007). Fonte: SESP (2008)
Um fato interessante em Campo Grande é que nos crimes mais cometidos contra o patrimônio apresentam furto e roubo de veículo, uma proposta interessante de trabalho seria um conjunto de ações unificadas da Companhia que concerne o bairro, mais o Batalhão de Trânsito e juntamente com a Delegacia de Furto e Roubo de Veículos (DFRV), a fim de criar prognósticos e ações de redução desses delitos. Outra situação seria uma troca de dados com a Prefeitura do Município, a fim de trabalhar aspectos estruturais como calçamento adequado, vias bem sinalizadas, vagas de garagem com melhor acesso e ordenamento do trânsito de veículos leves – motos e bicicletas. É importante a interação com outros órgãos de qualquer esfera administrativa, com a finalidade primordial de realizar campanhas preventivas e de conscientização da população, simultaneamente com a iniciativa privada e organização do terceiro setor.
Projetando os dados diante da vertente das horas do dia, criamos as Figuras 5 e 6, fica visível a similaridade da distribuição das ocorrências, aplicando a correlação entre os anos de 2005 e 2006 para os crimes contra o patrimônio temos 0,708, e para os anos de 2006 e 2007 passamos à 0,868. Utilizando essa mesma metodologia para os delitos de trânsito, temos 2005 e 2006 com 0,765 e já para 2006 e 2007: 0,834. Ao correlacionar os dados dos dois grupos ano a ano temos que para 2005 um índice de 0,736, para 2006: 0,791 e para 2007: 0,788; com base nos dados totais acumulativos de 2005 até 2007, apresentado 0,873 de correlação. As altas correlações apresentam um forte indicativo que as ocorrências se concentram no horário comercial que é das 8 ás 19 horas, é claro que nos crimes contra o patrimônio podemos perceber alguns picos durante a madrugada 0 ás 3 horas, mas nada de grande acentuação.
Ao acumular os dados dos anos de 2005 á 2007 e trabalharmos com os dois grupos juntos presenciamos um dado importante para as organizações policiais, que aproximadamente 74% dos registros estão concentrados entre as 10 e 22 horas, isso indica que em um pouco mais da metade do dia, pois de 10 às 22 horas são 13 horas; temos 3/4 das ocorrências registradas. As escala de trabalho, horários de patrulhamento, análises investigativas, trabalho de campo e dentre outros procedimentos para estudar tal elemento, devem focar nesses horários, em buscar de soluções ainda mais claras e objetivas para tal fenômeno de estudo.

Gráfico da distribuição dos crimes contra o patrimônio por horário em Campo Grande - Cariacica (2005 - 2007). Fonte: SESP

Gráfico da distribuição das ocorrências de trânsito por horário em Campo Grande - Cariacica (2005 - 2007). Fonte: SESP

Gráfico da distribuição contra o patrimônio e ocorrências de trânsito por horário em Campo Grande - Cariacica (Acumulado 2005 - 2007). Fonte: SESP
A necessidade de trazer sempre novos elementos é de certa forma interessante, aproximamos ainda mais a realidade do local em número, ou seja, trazemos o mundo real para o mundo virtual, quando conseguimos quantificar as variáveis as possibilidade e propostas de soluções são impressionantes, sabemos muito bem que dados qualitativos são essenciais para o trabalho da segurança pública, abre novos horizontes e vislumbram premissas antes não abordadas, mas o que venho propor neste trabalho é trabalhar o pragmatismo da informação, sem conceitos abstratos e dados inconsistentes.
Com a possibilidade de inserir um novo elemento no estudo da localidade de Campo Grande em Cariacica, ao adicionar o elemento dia da semana a nossa análise, temos as seguintes informações na Figuras 8 e 9, como podemos vislumbrar as ocorrências não possuem oscilação durante os anos, no caso dos crimes contra o patrimônio temos em 2005 na quinta-feira, em 2006 o pico na segunda feira e em 2007 no sábado. Fica apenas uma ressalva em análise dos dados acumulativos que domingo sempre entre nos dias com menos registros, mas é um percentual bem pequeno quase imperceptível.

Gráfico da distribuição dos crimes contra o patrimônio por dia da semana em Campo Grande - Cariacica (2005 - 2007). Fonte: SESP

Gráfico da distribuição das ocorrências de trânsito por dia da semana em Campo Grande - Cariacica (2005 - 2007). Fonte: SESP
De acordo com que foi mencionado acima os crimes contra o patrimônio são bem dispersos durante toda a semana, isso afirmar a presença de comercio intenso em todos os dias de segunda a segunda, trazendo a indicativa que durante todos os dias as escalas de policiamento na reunião devem ser iguais, apenas flexibilizando durante os horários mencionados anteriormente neste estudo. Ao partir para a análise dos dados das ocorrências de trânsito temos um fato interessante à quarta-feira apresentaram dados bem abaixo que dos outros dias da semana, mas no resto apresentou comportamento bem similar ao comportamento dos crimes contra o patrimônio.
A possibilidade de tratar dois problemas que acontecem em um mesmo lugar, com horários similares acaba tornando-se um enorme ganho operacional, logístico e investigativo, fato surpreendente nesta temática de estudo, pois sabemos as necessidades e carências das instituições policiais. O policiamento ostensivo deverá focar nas ruas de maiores crimes – vide Figura 10 -, nos horários e dias da semana indicados pelo o diagnóstico. Os relatórios policiais devem priorizar o pragmatismo, a praticidade, a clareza e a objetividade das informações, simples e direto, com base nessas prerrogativas as instituições policiais caminharam para um nível de excelência e eficácia no combate a violência e criminalidade.
Aguardem pela parte #2!
Texto de Adriano Hantequeste Gomes
Tabela 1 – Crimes Contra o Patrimônio mais cometidos no Bairro Campo Grande (Cariacica)
|
Tipos de Ocorrência |
Total de Registros (2005 – 2007) |
(%) Em relação aos Crimes Contra o Patrimônio |
|
Furto de Veiculo (B01H) |
439 |
22,73% |
|
Roubo a Pessoa em Via Pública (B02A) |
288 |
14,91% |
|
Roubo em Estabelecimento Comercial (B02D) |
253 |
13,10% |
|
Furto em Estabelecimento Comercial (B01D) |
234 |
12,12% |
|
Roubo de Veículo (B02H) |
233 |
12,07% |
|
Sub-Total |
1.447 |
74,94% |
|
Total |
1.931 |
100,00 % |
Fonte: Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (SESP)
Artigo Dinâmica Espacial Criminal
Bom dia pessoal!
É com bastante orgulho que vou postar um artigo do grande Adriano Hantequeste Gomes. O artigo é intitulado Dinâmica Espacial Criminal: Entendendo o comportamento geográfico e temporal da criminalidade.
Vou dividir em partes, pois além de ter sido muito bem escrito é um pouco extenso. O Adriano, conta sua experiência de criação e manunteção de um SIG de enormes proporções, para a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Espírito Santo (SESP).
O site do Adriano é i9Geo. Deem uma visita, que o cara é bom e merece!
Vou ficando por aqui. Começamos no próximo post o artigo do Adriano!
Abraços
George R. C. Silva





