Blog Geo.NET Geoprocessamento, SIG e Sensoriamento Remoto

27jun/100

Usando Python e o Geoprocessing Framework #1

Boa noite pessoal,

Hoje quero falar um pouquinho do framework de geoprocessamento do ArcGIS, disponível em Python. Python, como sabem, é uma linguagem de alto nível, orientada à objetos e muito - mas muito fácil de se aprender.

Existem tarefas extremamente repetitivas que podem ser facilmente automatizadas com um pouquinho de Python e o tal Geoprocessing. O ArcGIS, basicamente faz uso do Python em toda a command-line e em algumas ferramentas da toolbox. Tudo que é feito no ModelBuilder é convertido em código Python.

Bem, vamos à proposta: imagine que você tenha necessidade de atualizar dados disponibilizados como shapefiles, por um órgão do governo, de forma periódica e em um banco de dados (ArcSDE, Personal GDB, File GDB, etc.). Será possível?

Bem, isto é possível pois o Python conta com milhares de bibliotecas para acesso à páginas da web, compressão/descompressão de arquivos .zip, entre outras. Este foi um requerimento real de um trabalho antigo.

Bem, imaginemos o site do DNPM, que disponibiliza shapefiles dos direitos minerários, de tempos em tempos (o DNPM também publica um serviço web, mas nem sempre é um bom caminho). No site SIGMINE você pode puxar separado por estados o shape atualizado e alimentar um banco. Mas é muito trampo para ser feito toda semana. Ainda mais se tua base não for centralizada. Todo mundo tem atualizar milhares de mxds, mapas, etc.

Quais são nossos passos?

  • Fazer o download do shapefile em .zip
  • Descompactar nosso arquivo em disco
  • Atualizar o banco de dados

Podemos realizar o passo número 3 de várias formas, deletando a Feature Class antiga ou então atualizando registro por registro. Para nosso exercício, vamos deletar todos os registros e inseri-los novamente. Em ambientes mais controlados, com outras necessidades, talvez isto não seja o ideal.

Para contemplar nosso objetivo, iremos criar algumas classes:

  • leecherHandler - responsável pelo download de arquivos da web;
  • folderHandler - responsável pela criação/deleção de pastas;
  • zipHandler - responsável pela compressão/descompressão de arquivos .zip;
  • logger - responsável por guardar mensagens importantes para controle do que está acontecendo;
  • geoprocessor - responsável por realizar as operações e interfaces com o ArcGIS;

Vamos começar pela classe leecherHandler, que é o coração de nosso pequeno sistema:

import sys, urllib2, logHandler

class leecherHandlerClass():

    def __init__(self,webAddress,tempFolder):
        self.logs = logHandler.logHandlerClass()
        # Startup the log object.

        self.webAddress = webAddress
        self.tempFolder = tempFolder
        self.localFile = self.buildLocalFile(self.downloadWebFile())

    def buildFileName(self,webAddress):
        fileName = "\\" + webAddress.split(r"/")[-1]
        return fileName

    def downloadWebFile(self):
        try:
            self.logs.newLogMessage(self,"Starting download...","Information")
            # @eventoLogged: Start download.
            webFile = urllib2.urlopen(self.webAddress)
            # Opening the URL chosen.
            self.logs.newLogMessage(self,"Finished download.","Information")
            # @eventLogged: Download finished. Return a file object type.
            return webFile
        except:
            self.logs.newLogMessage(self,"It was not possible to download file.\n" + str( sys.exc_info()[0]),"Error")
            # @eventLogged: Error downloading file from URL

    def buildLocalFile(self,webFile):
        try:
            self.logs.newLogMessage(self,"Writing file to disk...","Information")
            # @eventLogged: Start writing to a local file.
            fileName = self.buildFileName(self.webAddress)
            localFile = open(self.tempFolder + fileName,"wb")
            # Get the filename and open a localfile.

            localFile.write(webFile.read())
            # Write to brand new file.
            # @todo: find a better way to write the file to disk

            webFile.close()
            localFile.close()
            # Close both files. Clean-up action.

Esta classe é bastante simples. Ela usa o módulo urllib2 para fazer os downloads, além de construir um novo arquivo em disco, na pasta especificada. Vejam que o código da função downloadWebFile é muito simples. Apenas precisamos apontar qual é o arquivo que queremos puxar e ela já o constrói em disco, com um nome alterado com data - para não nos perdemos.

Você não precisa fazer mais nada, pois no construtor da classe, ela já dispara todas as ações de download e construção de arquivo em disco. Pode levar um tempo para puxar os arquivos, mas em geral é bastante rápido. Caso seja necessário, você terá de montar e inicializar um proxy - que também será mostrado.

A forma de uso é bastante simples:

    shapeLeecher = leecherHandler.leecherHandlerClass('endereco do arquivo web','pasta temporaria de destino')
    # para acessarmos o arquivo local em disco, utilzamos a seguinte sintaxe:
    # shapeLeecher.localFile

Teremos agora um arquivo .zip em disco. Precisamos descompactá-lo. Crie uma nova classe, com a seguinte definição:

import sys, zipfile, logHandler

class zipHandlerClass():

    def __init__(self,tempFolder,zipFilePathname,watchFileFormat="shp"):
        self.logs = logHandler.logHandlerClass()
        # Startup the log object

        self.tempFolder = tempFolder
        self.zipFilePathname = zipFilePathname
        self.watchFileFormat = watchFileFormat
        # Basic properties

        self.containedFiles = []
        # Generated file list inside zip archive
        self.outputWatchFile = watchFileFormat
        # outputInformation

    def testZipFile(self):
        if self.zipFilePathname == None or zipfile.is_zipfile == False:
            self.logs.newLogMessage(self,"File pointed is not a valid zipfile" + str(sys.exc_info()[0]),"Error")
            return False
        else:
            return True

    def readContainedFiles(self,zipFile):
            return zipFile.namelist()

    def extractFiles(self):
        try:
            if self.testZipFile()== True:
                extractingFile = zipfile.ZipFile(self.zipFilePathname,"r")
                self.containedFiles = self.readContainedFiles(extractingFile)
                # Defines a zipFile object using pathname for further manipulation. Read the files inside archive.
                for zippedFile in self.containedFiles:
                    unpackedFile = open(self.tempFolder + "\\" + zippedFile, "wb")
                    unpackedFile.write(extractingFile.read(zippedFile))
                    unpackedFile.close()
                    # Unpack and write file to disk
                    self.logs.newLogMessage(self,"File " + zippedFile + " unpacked and written to disk.","Information")
                    # @eventLogged: Zip file unpacked and written in disk with success.

                    if zippedFile[-3:] == self.watchFileFormat:
                        self.outputWatchFile = zippedFile
                    else:
                        self.outputWatchFile = self.tempFolder
                    # Test to see if any of these files is of type watched.
                    # @todo: make this classe output a list of watched files.
                extractingFile.close()
                # close extracted file. CleanUp.
                return True
            else:
                return False
            # Test to see if it is a valid zipfile. If not, return false.
        except zipfile.BadZipfile:
            self.logs.newLogMessage(self,"Corrupted zipfile. Please download it again.","Error")
            return False

Esta classe é um pouco mais complicada. Temos de monitorar um arquivo mestre (em nosso caso, um shapefile) para que possamos iniciar os próximos passos. Olhem a definição da classe - ela pede uma pasta temporária (a mesma que você usou com o leecher), uma localização do arquivo .zip e um formato. Este formato, tem como default a extensão .shp, mas você pode especificar outro.

    # a idéia é que se use os resultados armazenados na classe leecher para alimentar
    # o construtor da classe zipHandler, criando um processo encadeado
    zipH = zipHandler.zipHandlerClass('pasta temporaria','arquivo.zip');
    zipH.extractFiles()

No frigir dos ovos, esta classe testa o arquivo zip, confere se o mesmo é válido, extrai os arquivos para a pasta selecionada, e guarda uma referência ao arquivo com a extensão escolhida.

Vamos mostrar agora a clase folderHandler. Ela irá criar nossas pastas para nós:

import sys, os,datetime, shutil, logHandler

class folderHandlerClass():
    def __init__(self,tempFolder):
        self.logs = logHandler.logHandlerClass()
        self.tempFolder = tempFolder

    def generateTempFolderName(self):
        dataHora = datetime.date.today()
        folderName = self.tempZipFile[:-4] + "_" + str(dataHora)
        return folderName

    def createTempFolder(self):
        try:
            if os.path.exists(self.tempFolder):
                if os.path.isdir(self.tempFolder):
                    return True
                else:
                    self.logs.newLogMessage(self,"The specified folder is not a valid folder.","Error")
                    # @eventLogged: Folder is not valid.
                    return False
            else:
                os.mkdir(self.tempFolder,222)
                self.logs.newLogMessage(self,"Folder " + self.tempFolder + " created with success.","Information")
                # @eventLogged: Folder create with success.
                return True
        except:
            self.logs.newLogMessage(self,"An unexpected error occurred while creating the specified folder.\n" + str(sys.exc_info()[0]),"Error")
            # @eventLogged: Error while creating folder. More info on sys.exc_info()

    def deleteTempFolder(self):
        try:
            shutil.rmtree(self.tempFolder)
        except:
            self.logs.newLogMessage(self,"An unexpected error occurred while deleting the specified folder.\n" + str(sys.exc_info()[0]),"Error")
            # @eventLogged: Error while deleting folder. More info on sys.exc_info()

Esta classe tem dois métodos principais: um para criar pastas e outro para deletá-las. A classe executa uma verificação básica para saber se a pasta existe ou é uma pasta. Em caso de positivo a pasta não é criada, apenas usada como destino dos arquivos. Caso ela não exista, a classe tenta criá-la. Isto é feito para economizarmos uma operação e evitar de criar uma pasta com um nome já existente, o que nos daria um erro.

O método que deleta a pasta é radical. Ele remove tudo que existe dentro da pasta. Sub-pastas, arquivos, não importa. Ele irá deletar tudo. Cuidado ao usá-lo com outros arquivos. O ideal para se trabalhar com este script é uma pasta separada só para ele. Para usar esta classe, faça assim:

    # como usar:
    folderH = folderHandler.folderHandlerClass('pasta temporaria')
    folderH.createTempFolder()
    # ele irá tentar criar a pasta
    folderH.deleteTempFolder()
    # ele irá tentar deletar a pasta e seu conteúdo

Bem, com estas classes conseguimos construir um pequeno framework para atualizarmos os dados em um banco do ArcGIS. São coisas simples, mas que ajudam bastante. No próximo post, teremos a classe que cuida das operações de geoprocessamento, interfaceando com o ArcGIS - e uma classe "mestra" que faz todas estas classes conversarem.

Como utilizar as três classes juntas?

import sys,folderHandler,zipHandler,leecherHandler

    # primeiro tentamos acessar/criar a pasta que queremos
    # lembrem-se que um r antes de uma string, significa raw
    # não sendo necessário escapar os caracteres \
    folderH = folderHandler.folderHandlerClass(r"C:\temporario")
    folderH.createTempFolder()

    # é só inicializar o leecher Handler. seu construtor cuida do restante para nós
    shpLeecher = leecherHandler.leecherHandlerClass("ftp://sigmine.dnpm.gov.br/Brasil.zip",folderH.tempFolder)

    # podemos inicializar o zipHandler de duas maneiras
    # com uma chamada explícita
    zipH = zipHandler.zipHandlerClass(folderH.tempFolder,shpLeecher.localFile,"shp")

    # ou implicita, caso a extensao seja shapefile - pois é um parametro com uma entrada
    # default. se nada for especificado, .shp irá cair em seu lugar
    # zipH = zipHandler.zipHandlerClass(folderH.tempFolder,shpLeecher.localFile)
    zipH.extractFiles()

Com o código acima e as três classes descritas,  já conseguimos puxar um arquivo da web e descompactá-lo para uma pasta qualquer.

Vocês podem notar que existem outras classes envolvidas aqui, especialmente o tal de LogHandler. Irei disponibilizar todo o projeto no próximo post ;)

Quaisquer dúvidas, estou à disposição!

Abraços

George

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24jun/100

Brincando com ArcObjects

Boa tarde pessoal,

ArcObjects é algo relativamente difícil. É complicado pois temos muitas formas de se fazer o que queremos, a documentação - apesar de razoável, não é excelente (existem detalhes importantes que podem estar escondidos em outras páginas) e não existe uma comunidade forte que trate destas questões.

Gostaria de mostrar um pouco de ArcObjects aos iniciantes, em especial um namespace complicadinho: ESRI.ArcGIS.Geometry. Não tenho domínio do namespace suficiente para dizer que sou um expert, mas consigo me virar.

O namespace Geometry é o responsável por cuidar de todas as operações com as geometrias, sejam elas de quaisquer tipos. Primeiramente gostaria de apresentaar à vocês aos tipos de geometria de alto-nível. Isto é importante pois algumas funções ou interfaces, só estão disponíveis nas geometrias de alto nível, outras somente nas de baixo nível.

Todas as geometrias de alto nível tem à sua disposição um set teórico de operações possíveis, tais como interseção, união, diferença, diferença simétrica, entre outros. Outras interfaces/classes do namespace ESRI.ArcGIS.Geometry são responsáveis por estas operações.

Geometrias de Alto Nível

As geometrias de alto nível são:

  • Points;
  • Multipoints;
  • Polylines;
  • Polygons;
  • MultiPatches;

Ponto é o tipo de geometria mais simples que podemos encontrar no modelo do ArcGIS. É basicamente composta de uma coordenada X e uma coordenada Y. Opcionalmente os pontos podem ser IdAware, ZAware e MAware, ou seja: podem ter um Id, Z e M. Todas os tipos de geometrias podem ter estes atributos em seus vértices, que em suma, são pontos.

Multipontos é um tipo de geometria representado por uma coleção de pontos. Da mesma maneira que um ponto, cada ponto desta única geometria tem seus atributos.

Polilinhas são composta pela união de diversos paths (uma geometria de nível mais baixo) que são compostos por sua vez de diversos segments, que podem ser dos tipos: linha, arco circular, curva bezier ou arco elíptico.

Polígonos são geometrias compostas por rings, que são compostos por segments, dos tipos citados acima. A ordem de cada ring e o sentido de construção (horário/ante-horário) determinar o comportamento de cada ring. Exemplo: todos os rings externos são ordenados em sentido horário, indicando que o interior dele é o polígono. Caso um ring seja ordenado em anti-horário você está dizendo ao ArcGIS que ele é hole - com área negativa.

No caso dos polígonos, isso pode ocorrer indefinidamente, sendo determinado pela ordem em que cada ring aparece na coleção.

Ilustração do funcionamento de rings e polígonos - Fonte: ESRI

Ilustração do funcionamento de rings e polígonos - Fonte: ESRI

Multipatches são geometrias compostas e são em três dimensões. São geometrias que podem ter múltiplas superfícies, com textura. É a forma como o ArcGIS representa objetos em três dimensões. São compostas de Triangles, TriangleStrips e TriangleFans.

Todas as geometrias de nível mais baixo são construídas necessáriamente por pontos. É o bloco de construção do ArcGIS.

Geometrias de Baixo Nível

  • Paths
  • Rings
  • Segments
  • TriangleStrips
  • TriangleFans
  • Triangles
Diagrama mostrando a estrutura de Polyline - Fonte: ESRI

Diagrama mostrando a estrutura de Polyline - Fonte: ESRI

Diagrama mostrando à estrutura de Polygon - Fonte: ESRI

Diagrama mostrando à estrutura de Polygon - Fonte: ESRI

Pela estrutura que temos aí dá pra entender melhor não?

Vamos começar brincando com os pontinhos, já que são as estruturas básicas de trabalho.

Classes e Interfaces

Para simplificar para os iniciantes, classe é um projeto de um objeto. Quando criamos um novo, aquele projeto é "materializado" na memória do computador.

Interface é um contrato. Quando dizemos que uma classe implementa uma interface, queremos dizer que aquela classe assinou um contrato de funcionalidade com aquela interface - ou seja, tudo que realiza operações na interface ou em algum membro da interface, está também disponível na classe, sendo possível utilizar aquela classe em alguma função que requer a interface.

PointClass

Esta classe implementa diversas interfaces (ou contratos) do namespace Geometry. As interfaces definem as funcionalidades que a PointClass terá. Caso você tenha o Help de desenvolvimento do ArcGIS instalado, abra o mesmo e procure esta URL ms-help://ESRI.EDNv9.3/esriGeometry/html/Point.htm .

Caso não tenha o help instalado

Como criamos um novo ponto? É bem simples, vejam só.

    IPoint ponto = new PointClass();
    ponto.PutCoords(10,10);

Vamos criar uma novo projeto C# do tipo ArcGIS>Console Application. Adicione as referências:

  • ESRI.ArcGIS.Geometry;
  • ESRI.ArcGIS.Framework;
  • ESRI.ArcGIS.esriSystem;

Você verá que o Visual Studio já criou algumas linhas código para nós. Este é o código para buscar a licença na máquina. Em qualquer tipo de aplicação que você for construir, você deve ter um código similar para buscar uma licença, senão ele é automaticamente desligado.

namespace DesktopConsoleApplication1
{
    class Program
    {
        private static LicenseInitializer m_AOLicenseInitializer = new DesktopConsoleApplication1.LicenseInitializer();

        [STAThread()]
        static void Main(string[] args)
        {
            //ESRI License Initializer generated code.
            m_AOLicenseInitializer.InitializeApplication(new esriLicenseProductCode[] { esriLicenseProductCode.esriLicenseProductCodeArcView },
            new esriLicenseExtensionCode[] { });
            //ESRI License Initializer generated code.
            //Do not make any call to ArcObjects after ShutDownApplication()
            m_AOLicenseInitializer.ShutdownApplication();
        }
    }
}

Este é como meu código se parece. O método Main é o que executa o programa de verdade. Para demonstrar o funcionamento da interface IPoint e da PointClass, vamos escrever algo bem simples, para ilustrar.

Acima do namespace, adicione as seguintes linhas:

using ESRI.ArcGIS.Geometry;
using ESRI.ArcGIS.Framework;

Elas são necessárias para utilizarmos os objetos contidos nestes namespaces sem qualificá-los totalmente, ex: ESRI.ArcGIS.Geometry.IPoint. Após a adição destas linhas, podemos utilizar somente IPoint, diretamente, pois estes objetos estão à nossa disposição.

Crie um novo método dentro desta classe (isto não é o ideal em código de produção - estude orientação à objetos. este é apenas um exemplo) chamado BuildPoint. Este método deve ser estático (não queremos ter de criar uma outra classe Program para acessá-lo), ou seja, pode ser acessado no "projeto" da classe (ao invés de funcionar no objeto). Neste método, queremos construir um ponto, designar suas coordenadas x, y e z e queremos que esta função nos devolva este ponto.

Ficaria assim:

        static IPoint BuildPoint(double x, double y, double z)
        {
            IPoint ponto = new PointClass();
            ponto.PutCoords(x, y);
            ponto.Z = z;

            return ponto;
        }

Sugiro que você não façam somente um Ctrl-C + Ctrl-V dos códigos. Teste isto no Visual Studio. O Intelllisense irá lhe mostrar algumas outras coisinhas interessantes. Não esqueça de consultar a documentação para saber mais sobre cada um dos membros e métodos.

Bem, o que este método faz? Ele simplesmente instancia um novo ponto, atualiza as coordenadas conformes passadas nos argumentos da função e nos devolve o ponto. Para que fazer uma função assim? Bem, são somente 4 linhas de código, mas imagine se você precisa criar 80000 pontos? Certo, então temos nossa primeira função pronta.

O que faremos com ela? Vamos modificar nosso método Main, para ler diversas coordenadas e criar um monte de pontos para nós. Depois iremos pedir para nosso método Main nos mostrar os pontos criados. Além de modificar o Main, vamos construir um segundo método para nos ajudar a criar os pontos.

Vamos lá:

        [STAThread()]
        static void Main(string[] args)
        {
            //ESRI License Initializer generated code.
            m_AOLicenseInitializer.InitializeApplication(new esriLicenseProductCode[] { esriLicenseProductCode.esriLicenseProductCodeArcView },
            new esriLicenseExtensionCode[] { });
            //ESRI License Initializer generated code.
            //Do not make any call to ArcObjects after ShutDownApplication()
            m_AOLicenseInitializer.ShutdownApplication();

            // após a inicialização da licença, vamos brincar
            string finaliza = "s";
            string leitura;

            // aqui guardaremos nossos pontos
            List listaDePontos = new List();

            // enquanto finaliza for diferente de n, repita:
            while (finaliza.Substring(0,1).ToLower() != "n")
            {
                // vamos dizer ao usuário o que precisamos.
                Console.WriteLine("Digite as coordenadas de seu ponto. Utilize vírgulas para separá-las");
                Console.WriteLine("X,Y,Z");

                // leitura guardará o resultado que nosso usuário digitar!
                leitura = Console.ReadLine();

                // temos uma string. precisamos de um método para quebrá-la
                // e nos devolver um ponto - que será inserido na listaDePontos
                listaDePontos.Add(TraduzirStringPonto(leitura));

                // será que o usuário quer digitar mais pontos?
                Console.WriteLine("Você deseja criar mais pontos? n para não");
                // vamos alterar o valor de finaliza, que será testa mais à frente.
                // note que esta rotina não cobre TODAS AS POSSIBILIDADES
                finaliza = Console.ReadLine();
            }

            // agora que o usuário terminou de criar seus pontos,
            // vamos mostrá-los à ele.
            Console.WriteLine();
            Console.WriteLine("Lista de Pontos:\n");

            // para cada variável do tipo IPoint em listaDePontos, faça
            foreach (IPoint p in listaDePontos)
            {
                // \t é caractere de tabulação.
                Console.Write("ID " + p.ID.ToString() + "\t");
                Console.Write("X " + p.X.ToString() + "\t");
                Console.Write("Y " + p.Y.ToString() + "\t");
                Console.Write("Z " + p.Z.ToString() + "\t");
                Console.WriteLine();
            }
            // vamos esperar o usuário ler os dados e assim que ele teclar denovo
            // finalizamos o programa
            Console.WriteLine();
            Console.WriteLine("Aperte qualquer botão do teclado para finalizar...");
            Console.ReadLine();
        }

No meio da função está a lógica do programa. Queremos ler dados, até o usuário dizer não. Note que este programa é bastante simples, não realiza verificação de erros nem os trata. Não deve ser feito assim na vida real!

Mostramos para o usuário algumas propriedades da classse IPoint, algumas setadas por nós, outras não. Viram que todos os IDs são iguais à zero?

Agora vou lhes mostrar a função TraduzirStringPonto. Ela envolve mais programação comum, do que ArcObjects. Vou mostrá-la só para não ficarem no escuro :P

        static IPoint TraduzirStringPonto(string s)
        {
            // recebemos nesta função uma string e queremos transformá-la em números
            // vamos usar o método Split, que tem como argumentos um array de caracteres
            // delimitados como as strings, com a exceção de que usamos aspas simples!
            string[] arrayDeStrings = s.Split(new Char[]{','},3);

            // vamos criar uma array com três posições para receber nossos números!
            double[] arrayDeDoubles = new double[3];

            // para i = 0 até i = 2
            for(int i = 0; i <= 2; i++)
            {
                // assinale o valor da posição i em arrayDeDoubles
                // para ser igual ao valor da posição i em arrayDeStrings,
                // convertendo-os para um objeto do tipo Double
                arrayDeDoubles[i] = Double.Parse(arrayDeStrings[i]);
            }

            // vamos criar nosso ponto. lembra de BuildPoint?
            IPoint ponto = BuildPoint(arrayDeDoubles[0],arrayDeDoubles[1],arrayDeDoubles[2]);

            // nos devolva nosso ponto para que possamos inseri-lo na lista
            return ponto;
        }

Novamente um aviso: esta função também não tem identificação de erros ou tratamento dos mesmos. Recomendo ao interessado em desenvolver seu método de validação da entrada de dados, pois se inserirmos em nosso programa os valores:

10,eitcha,100

ele irá simplesmente travar - no momento da conversão de string para double.

Esta foi uma gentil introdução à manipulação de geometrias em ArcObjects. Os próximos passos são um pouco mais cabeludos, mas nada que seja impossível.

O que acharam?

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26mai/102

ArcGIS.com lançado

Durante a semana passada foi lançado o site ArcGIS.com.

É um site da ESRI voltado basicamente para a publicação de mapas e serviços de mapas, direto no site.

Existe a possibilidade de criar seu arquivo .mxd, construir um pacote de layers (Layer Package) e enviar tudo para o site, para colaboração remota, publicação de dados e cartografia temática.

São milhares de pessoas publicando informação em um único lugar. Sabe aquele layer difícil de se encontrar (ex: cidades da Indía, dados de meio ambiente na Europa)? É bem possível que algum usuário tenha publicado um mapa com o mesmo conteúdo, que está disponível para o usuário.

Com um registro gratuito você pode criar e salvar mapas interativos, publicar mapas (você pode deixá-los privados, sem distribuir conteúdo) e usar até 2 Gb de espaço da ESRI para guardar suas coisinhas.

É uma iniciativa bacana, especialmente quando temos diversos softwares Open Source respirando no pescoço da ESRI.  É a chance do pessoal que trabalha com ESRI publicar mapas rapidamente.

O site ficou bonito, é bastante intuitivo e fácil de navegar.

Fica a dica pessoal.

Abraços

George R. C. Silva

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8fev/104

Hello World, ArcGIS style!

Boa noite pessoal,

Conforme prometi, vamos começar a brincar de ArcObjects.

Se vocês instalaram o Visual Studio 2005 (pode ser o Express, disponível gratuitamente) e depois instalaram o software development kit vocês não teram problema para acompanhar este simples guia.

Notas importantes

  • Não irei focar no código. Não irei explicar detalhadamente o que cada função faz. Isto é trabalho de vocês.
  • Irei ajudar na parte mais difícil: como começar. Existem algumas coisinhas que são chatíssimas quando programamos para ArcGIS, mas ainda bem que o próprio Visual Studio resolve algumas delas para nós.

Início

Primeiramente, abra o Visual Studio e peça um New Project. Selecione um Empty Project e dê um nome para seu projeto.

Criando um novo projeto

Criando um novo projeto no Visual Studio 2005

Depois de isso feito, termos algo mais ou menos assim:

Projeto vazio

Projeto vazio

O Visual Studio é extremamente personalizável, portanto não precisa se concentar em deixar sua tela exatamente igual a minha. Quero que você veja o Solution Explorer que fica à direita.

Vamos para o rock. O que iremos fazer?

Vamos criar uma simples barrinha de ferramentas que nos avisa quantas camadas temos em um determinado MXD. Simples né? Besta né? Mas isso vai ser o fundamento, coisas mais complexas virão.

Então vamos lá. Vá na raiz do projeto (escrito HelloWorldArcGIS) e clique com o botão direito. Clique em Add ArcGIS Reference.

O que isto exatamente faz? Bem, o ArcGIS como diversos softwares, são muito grandes, e não podemos/devemos referenciar todo o código junto. Para que adicionar referências que não iremos utilizar?

Certo, quando você clicar no botãozinho, irá aparecer uma janelinha. Vá na opção Desktop ArcMap e adicione as seguintes assemblies:

  • ESRI.ArcGIS.ArcMapUI;
  • ESRI.ArcGIS.ArcMap;
  • ESRI.ArcGIS.Display;
  • ESRI.ArcGIS.Framework;
  • ESRI.ArcGIS.Geodatabase;
  • ESRI.ArcGIS.System;
  • ESRI.ArcGIS.Carto;

Clique em Finish.

Você verá que a pasta References foi atualizada. Vamos adicionar algumas assemblies do Windows e do .NET.

Siga o mesmo passo acima, mas ao invés de escolher Add ArcGIS Reference, escolha Add Reference. Uma caixinha irá se abrir, portanto em .NET, seleciona as seguintes assemblies:

  • System
  • System.Drawing
  • System.Windows.Forms

Clique ok. Estamos good to go.

Nossas referências estão no lugar. Isto significa que poderemos utilizar código pronto contido nestas assemblies. Isto é importante e interessante que se aprenda cedo, senão algo pode deixar de funcionar simplesmente porque você nao colocou aquela referência...

Vamos agora criar uma barra de ferramentas para colocar nossas coisinhas nela.

Clique com o botão direito na raiz do projeto e clique em Add > Add New Item.

Adicionando uma barra de ferramentas

Adicionando uma barra de ferramentas

Selecione Base Toolbar e dê um nome à esta toolbar. Algo como HelloWorldToolbar, e clique em Add. Um tela irá aparecer perguntando qual tipo de barra de ferramentas você quer. Selecione ArcMap e boa.

Olhe suas referências. Elas foram atualizadas e adicionados alguns assemblies extras. Não se preocupe com eles. O Visual Studio é até inteligente para colocar algumas que você pode ter esquecido, mas só pelos canais oficiais (como este de adicionar uma toolbar). Se você criar uma classe e tentar herdar de BaseToolbar você provavelmente ganhará um erro.

Ele abriu um arquivo de código com a extensão .cs que contém diversas coisas, uns números muito doidos e por aí vai. Vamos explicar:

using System;
using System.Collections.Generic;
using System.Text;
using System.Runtime.InteropServices;
using ESRI.ArcGIS.ADF.CATIDs;
using ESRI.ArcGIS.ADF.BaseClasses;

namespace HelloWorldArcGIS
{
    ///
    /// Summary description for HelloWorldToolbar.
    ///
    [Guid("cc7ed839-de6c-46a7-9817-f4a3756cc57c")]
    [ClassInterface(ClassInterfaceType.None)]
    [ProgId("HelloWorldArcGIS.HelloWorldToolbar")]
    public sealed class HelloWorldToolbar : BaseToolbar
    {
        #region COM Registration Function(s)
        [ComRegisterFunction()]
        [ComVisible(false)]
        static void RegisterFunction(Type registerType)
        {
            // Required for ArcGIS Component Category Registrar support
            ArcGISCategoryRegistration(registerType);

            //
            // TODO: Add any COM registration code here
            //
        }

        [ComUnregisterFunction()]
        [ComVisible(false)]
        static void UnregisterFunction(Type registerType)
        {
            // Required for ArcGIS Component Category Registrar support
            ArcGISCategoryUnregistration(registerType);

            //
            // TODO: Add any COM unregistration code here
            //
        }

        #region ArcGIS Component Category Registrar generated code
        ///
        /// Required method for ArcGIS Component Category registration -
        /// Do not modify the contents of this method with the code editor.
        ///
        private static void ArcGISCategoryRegistration(Type registerType)
        {
            string regKey = string.Format("HKEY_CLASSES_ROOT\\CLSID\\{{{0}}}", registerType.GUID);
            MxCommandBars.Register(regKey);
        }
        ///
        /// Required method for ArcGIS Component Category unregistration -
        /// Do not modify the contents of this method with the code editor.
        ///
        private static void ArcGISCategoryUnregistration(Type registerType)
        {
            string regKey = string.Format("HKEY_CLASSES_ROOT\\CLSID\\{{{0}}}", registerType.GUID);
            MxCommandBars.Unregister(regKey);
        }

        #endregion
        #endregion

        public HelloWorldToolbar()
        {
            //
            // TODO: Define your toolbar here by adding items
            //
            //AddItem("esriArcMapUI.ZoomInTool");
            //BeginGroup(); //Separator
            //AddItem("{FBF8C3FB-0480-11D2-8D21-080009EE4E51}", 1); //undo command
            //AddItem(new Guid("FBF8C3FB-0480-11D2-8D21-080009EE4E51"), 2); //redo command
        }

        public override string Caption
        {
            get
            {
                //TODO: Replace bar caption
                return "My C# Toolbar";
            }
        }
        public override string Name
        {
            get
            {
                //TODO: Replace bar ID
                return "HelloWorldToolbar";
            }
        }
    }
}

Vamos lá:

O que merece nota imediata:

  • O construtor da barra de ferramentas. O construtor é o método responsável por instanciar um novo objeto do tipo HelloWorldToolbar. Veja que existem um monte de comentários ensinando como podemos inserir ferramentas ou botões nele. À seguir utilizaremos eles. Mas dê uma lida nos comments com carinho.
  • A propriedade Caption. Nela temos "My C# Toolbar" como caption. Altere para o que achar melhor. Este nome é o nome que irá aparecer dentro do ArcGIS.
  • A propriedade Name. Deve ser único. Portanto, é melhor nem mexer com isto, por enquanto.
  • O restante são funções para registro/desregistro da barra de ferramentas. Isto é um pré-requisito, pois estamos trabalhando com tecnologia COM, se lembram? Não altere nada.

Nossa barra de ferramentas está criada, mas uma barra de ferramentas sozinha não me adianta de nada. Vamos criar umas ferramentinhas. Siga o mesmo procedimento que utilizou para criar a barra de ferramentas, mas desta vez, escolha BaseCommand e nomeie ele como achar melhor. No meu caso, vou dar o nome de ComandoHelloWorld.

Mais uma vez um prompt irá aparecer e te perguntar qual é o tipo de comando você quer criar. Vejamos...escolha Desktop ArcMap Command e boa.

using System;
using System.Drawing;
using System.Runtime.InteropServices;
using ESRI.ArcGIS.ADF.BaseClasses;
using ESRI.ArcGIS.ADF.CATIDs;
using ESRI.ArcGIS.Framework;
using ESRI.ArcGIS.ArcMapUI;

namespace HelloWorldArcGIS
{
    ///
    /// Summary description for ComandoHelloWorld.
    ///
    // preste atenção neste valor aqui!
    [Guid("2423ecdf-4f14-4993-a165-df9d79167f4d")]
    // preste atenção neste valor aqui!
    [ClassInterface(ClassInterfaceType.None)]
    [ProgId("HelloWorldArcGIS.ComandoHelloWorld")]
    public sealed class ComandoHelloWorld : BaseCommand
    {
        #region COM Registration Function(s)
        [ComRegisterFunction()]
        [ComVisible(false)]
        static void RegisterFunction(Type registerType)
        {
            // Required for ArcGIS Component Category Registrar support
            ArcGISCategoryRegistration(registerType);

            //
            // TODO: Add any COM registration code here
            //
        }

        [ComUnregisterFunction()]
        [ComVisible(false)]
        static void UnregisterFunction(Type registerType)
        {
            // Required for ArcGIS Component Category Registrar support
            ArcGISCategoryUnregistration(registerType);

            //
            // TODO: Add any COM unregistration code here
            //
        }

        #region ArcGIS Component Category Registrar generated code
        ///
        /// Required method for ArcGIS Component Category registration -
        /// Do not modify the contents of this method with the code editor.
        ///
        private static void ArcGISCategoryRegistration(Type registerType)
        {
            string regKey = string.Format("HKEY_CLASSES_ROOT\\CLSID\\{{{0}}}", registerType.GUID);
            MxCommands.Register(regKey);

        }
        ///
        /// Required method for ArcGIS Component Category unregistration -
        /// Do not modify the contents of this method with the code editor.
        ///
        private static void ArcGISCategoryUnregistration(Type registerType)
        {
            string regKey = string.Format("HKEY_CLASSES_ROOT\\CLSID\\{{{0}}}", registerType.GUID);
            MxCommands.Unregister(regKey);

        }

        #endregion
        #endregion

        private IApplication m_application;
        public ComandoHelloWorld()
        {
            //
            // TODO: Define values for the public properties
            //
            base.m_category = ""; //localizable text
            base.m_caption = "";  //localizable text
            base.m_message = "";  //localizable text
            base.m_toolTip = "";  //localizable text
            base.m_name = "";   //unique id, non-localizable (e.g. "MyCategory_ArcMapCommand")

            try
            {
                //
                // TODO: change bitmap name if necessary
                //
                string bitmapResourceName = GetType().Name + ".bmp";
                base.m_bitmap = new Bitmap(GetType(), bitmapResourceName);
            }
            catch (Exception ex)
            {
                System.Diagnostics.Trace.WriteLine(ex.Message, "Invalid Bitmap");
            }
        }

        #region Overriden Class Methods

        ///
        /// Occurs when this command is created
        ///
        ///
        Instance of the application
        public override void OnCreate(object hook)
        {
            if (hook == null)
                return;

            m_application = hook as IApplication;

            //Disable if it is not ArcMap
            if (hook is IMxApplication)
                base.m_enabled = true;
            else
                base.m_enabled = false;

            // TODO:  Add other initialization code
        }

        ///
        /// Occurs when this command is clicked
        ///
        public override void OnClick()
        {
            // TODO: Add ComandoHelloWorld.OnClick implementation
        }

        #endregion
    }
}

Pontos merecedores de notas:

  • Novamente o construtor do comando. Ele tem diversas informações que são mostradas ao usuário no ArcGIS. Não irei explicar uma à uma, brinque com elas e teste.
  • Um campo (field) importantissímo: m_application. Ele guarda uma referência de memória à sua aplicação que está rodando. Sem o software não teria como chamar coisas que estão lá dentro.
  • Método OnClick(). Este método é que irá rodar quando o usuário clicar no comando. Nós implementaremos as coisinhas todas ali. Capiche?

Vamos adicionar nosso comando à barra de ferramentas. Lembram do construtor da barra de ferramentas, que contém alguns exemplos de Add?

Vá no seu comando e procure pelo valor GUID dele. O meu é 2423ecdf-4f14-4993-a165-df9d79167f4d. Digite isto (claro, com o seu valor GUID) no construtor da barra de ferramentas.

    AddItem(new Guid("2423ecdf-4f14-4993-a165-df9d79167f4d"), 0);

Vamos tentar compilar. Aperte F6.

Um erro deve aparecer. Ainda não configuramos nossa aplicação para abrir com o ArcMap. Vá na raiz do projeto, clique com o botão direito e vá em Properties.

Você irá ver um monte de coisas.

Na parte de Application procure Output Type e escolha Class Library.

Em Build marque a última opção, Register for COM Interop. Lembra que tudo que fazemos com ArcObjects temos que fazer com COM? Ficou estranho isso, mas válá.

Vá em DEBUG e procure a seção Start Action. Marque Start External Program e localize o arquivo ArcMap.exe no seu computador. O meu fica em C:\Program Files\ArcGIS\bin\ArcMap.exe.

Tente compilar novamente. Aperte F6. Você não deve ver nenhum erro. O ArcGIS irá abrir sozinho.

ArcGIS aberto e barra de ferramenta disponível

ArcGIS aberto e barra de ferramenta disponível

Nossa barrinha de ferramentas esta lá!

Agora vamos implementar a nossa super-ultra-mega-complexa funcionalidade. Feche o ArcMap. Retorne ao Visual Studio.

Abra o arquivo de código do nosso comando. Suba até o topo de nosso arquivo.

Você verá um monte de coisas como using System.Drawing entre outros. Aqui nós dizemos ao Visual Studio quais assemblies este arquivo poderá acessar. Faltam duas importantes para nós aí.

Insira a assembly ESRI.ArcGIS.Carto e a assembly System.Windows.Forms. Lembre-se de colocar cada uma em uma linha, e não se esqueça do ponto-e-vírgula.

        public override void OnClick()
        {
            // pegue uma referência ao documento que está rodando
            // note o uso do campo m_application
            IMxDocument documento = (IMxDocument)this.m_application.Document;

            // pegue uma referência ao mapa atual
            // note que caso tenha múltiplos data-frames isto pode não funcionar como esperado...
            IMap mapa = documento.FocusMap;

            // vamos contar quantas camadas temos no nosso mapa?
            Int32 numeroCamadas = mapa.LayerCount;

            // me diga quantas camadas eu tenho!
            MessageBox.Show("Temos neste mapa " + numeroCamadas.ToString() + " camadas!");
        }

Altere sua função OnClick nestes termos. Não copie e cole. Tente entender o que está acontencendo dentro do código. Digite linha por linha. Porque? Porque faz bem e o Visual Studio ainda irá mostrar para vocês a jóia de sua coroa, o Intellisense. Ele te sugere o que você pode estar precisando. Você conseguirá enxergar diversos atributos e propriedades de cada uma destas classes.

Tem bastante coisa interessante só nessas três classezinhas. Navegue. Use o EDN. Use o Help (F1). E poste suas dúvidas.

Bem, agora é com vocês. Me digam o que acharam. Foi difícil? À princípio vai ser difícil sim! Como meu bom e velho avô diz: rapadura é doce mas não é mole não!

Estou no aguardo das dúvidas, comentários e blasfêmias!

Espero que tenham gostado,

Um abraço,

George R. C. Silva

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31jan/104

ArcObjects #1 – introdução

Boa tarde pessoal,

Mais uma vez venho a vocês com uma futura série de pequenos artigos, desta vez sobre ArcObjects, a API da ESRI para o desenvolvimento de funções que levam em conta o espaço e dados espaciais.

Bem, primeiramente devemos começar dizendo que ArcObjects não é um bicho de sete cabeças, é um bicho só de cinco. Não é nada complicado, quando você entende o que quer fazer e onde procurar.

Para quem está perdido, API é um conjunto de rotinas e funcionalidades já escritas que pode-se extender, através de programação. Ou seja, ArcObjects é essencialmente os blocos construtivos do software ArcGIS. Os caras na ESRI desenvolvem o ArcObjects e depois o usam para montar o ArcMap, por exemplo.

E realmente são muitos blocos. A API é composta (hoje, na versão 9.3) por quatro mil classes, cinco mil interfaces, mais de mil enumerações e cinquenta structs, isso sem contar os tipos escondidos e restritos!

Certo e o que mais precisamos saber sobre a API ArcObjects para começar a programar para o ArcGIS? Nada, na realidade, mas existem alguns conceitos que devem ser conhecidos.  Toda a API foi desenvolvida seguindo o modelo COM (Component Object Model), o padrão para distribuição de bibliotecas binárias em ambiente desktop, desenvolvido pela Microsoft.

E isto muda tudo. A tecnologia COM estabelece padrões e exige alguns requisitos para que um software seja COM-compatible. Finalmente, devemos entender que COM é uma arquitetura, uma forma de desenvolver software.

A arquitetura COM é baseada em servidores e clientes. O servidor, ou o objeto, dá uma funcionalidade e o cliente a utiliza. Para facilitar ainda mais, um servidor pode ser um cliente e vice-versa. A arquitetura COM facilita a comunicação entre estes dois processos (servidor/cliente). Existem muitas particularidades da tecnologia, que realmente não cabem no escopo deste post, mas todos devem ficar de olho nisto, pois software mal desenvolvido que utiliza COM é software que um dia irá explodir. Esta arquitetura tem sérios problemas de perfomance e coleta de lixo.

Para saber mais, visite esta página e esta página.

Certo, o que podemos fazer com ArcObjects? Tudo o que podemos fazer dentro do ArcGIS, podemos fazer utilizando ArcObjects. Tudo e muito mais, claro. Como o próprio ArcGIS foi construído sobre ArcObjects, estamos na realidade falando de uma coisa só!

O que preciso para desenvolver em ArcObjects?

Bem, a API está implementada em uma porção de linguagens, sendo possível utilizar qualquer uma e realizar as mesmas tarefas. As linguagens suportadas são: VC++ (Visual C++), C# (minha favorita), VB.NET, Java e até VBA (cuidado, o suporte para VBA ACABOU!).

Não existe melhor ou pior, apenas diferente :P . Caso você tenha experiência com uma ou outra, sugiro que comece pela linguagem que tem maior familiaridade, mas um aviso: existem tendências e a tendência é .NET (C# principalmente).

Após escolher sua linguagem de preferência, instale um IDE (Integrated Development Environment - como o Visual Studio, no caso de .NET) e instale as bibliotecas que veêm com o ArcGIS. Note que as bibliotecas já estão no CD de instalação do ArcGIS Desktop (as bibliotecas de programação para Desktop, claro).

Primeiro instale o ambiente de desenvolvimento e depois a biblioteca. Nunca o contrário.

instalacao sdk

Tela de Instalação dos SDK's ArcGIS Desktop

Depois que tudo estiver instalado, sugiro que passe um tempo se familiarizando com cada IDE e com a referência oficial da ESRI. Ache um pequeno problema que lhe incomoda no ArcGIS (algo que poderia ser mais fácil, ou poderia ser diferente e facilitaria seu trabalho - imagino que existem diversas coisas) e tente criar alguma coisa em ArcObjects para isto.

Como são muitas classes e interfaces, não se preocupe em conhecer todas, se preocupe em conhecer como achar na referência oficial dados sobre determinada classe/interface.

Aviso aos navegantes: é muito comum em ArcObjects você ter de instaciar dois, três ou quatro objetos para fazer uma coisinha simples (como é o caso das interfaces IFields e IFieldsEdit, IField e IFieldEdit, entre outras).

Os namespaces mais utilizados, provavelmente são esriSystem, ArcMap, ArcMapUI, Geometry e Geodatabase. Todos tem sua própria página na ESRI, incluindo um diagrama completo do mesmo.

Caso tenham dúvidas, estamos aqui! Próximo post: Hello World, ArcGIS style!

Abraços

George

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14jan/100

#Python – o que é?

Olá pessoal,

Primeiro gostaria de falar sobre a Geo Rede. GeoRede é um projeto do site Geo.NET, um agregador de feeds de diversos blogs sobre Geoprocessamento/Sensoriamento Remoto em geral.

Estou lá também! Depois passem lá e deêm uma olhada. Se você não conhece o Geo.NET é mais uma coisa bacana. Fórum, seção de downloads e muito mais.

Bem, hoje falo para os usuários de ArcGIS. Vocês já devem ter notado, que durante a instalação do ArcGIS ele te pergunta/pede para instalar uma linguagem de programação chamada Python. Bem, se algum de vocês já abriram a aba dela no menu Iniciar do windows devem ter se deparado com algo bastante simples, a IDLE. A IDLE é um shell que intepreta comandos em Python. Algo como o DOS.

Bem, não dá pra fazer muita coisa pela IDLE, já que estamos limitados a "programas" de uma linha. Mas o porque estou falando de Python? O ArcGIS, felizmente, tem um ambiente customizável e permite ao usuário mais avançado a desenvolver suas próprias ferramentinhas, para executar uma infinidade de ações. Desde tarefas de "geoprocessamento" (geoprocessing) à customizar suas layers e representações.

Existem duas maneiras de se estender o ArcGIS. Uma delas é através de uma linguagem compilada .NET (ou VBA) e através do Python.

De acordo com a própria ESRI, a linguagem recomendada para se trabalhar com geoprocessing é Python. O .NET é mais fácil caso você precise estender a GUI (Graphic User Interface) e montar coisinhas mais complexas. O Python é recomendado para geoprocessing e a criação de ferramentas mais simples justamente pelo Python ser simples. A linguagem Python, criada em 1991, é considerada VHLL (Very High Level Language) e traz enormes facilidades para desenvolvedores iniciantes.

Primeiramente, ela é dinamicamente tipada (what the hell?!). Bem isso significa que não é necessário declarar com QUE tipos de variáveis queremos trabalhar antecipadamente. Você coloca alguma coisa na variável e o Python identifica o que ela é pra você. Ou seja, não existe muita confusão no momento de falar que A = 3 ou A = "spam". (neste exemplo, A = 3, representa automaticamente que A é uma variável do tipo inteiro e que em segundo momento, ela é do tipo string)

Segundamente, Python não é uma linguagem compilada. Não é necessário desenvolver um arquivo executável ou algo do tipo, ela é interpretada conforme o Python lê o código digitado. Isso traz uma perda de velocidade (nada muito importante) mas o ganho em agilidade no desenvolvimento compensa.

Python tem tipos muito flexíveis, como listas e dicionários. Não entrarei em detalhes, mas você pode com uma única expressão, criar uma lista com valores que você esteja trabalhando e de forma mais fácil ainda, ler os mesmos.

Um exemplo de lista, que sempre estão entre COLCHETES:


ListaTeste = ['spam','geoprocessamento',2,['arcgis','envi','arcsde']]

Temos na lista acima os items 'spam', 'geoprocessamento',2 e uma outra lista! aninhada, com os objetos 'arcgis','envi' e 'arcsde'. Listas são o carro-chefe do Python e devem ser aprendidas o quanto antes. Através delas podemos fazer o capeta com muito pouco código.

Agora, como integro ArcGIS com Python? A ESRI disponibiliza uma "API" própria para manipulação (de seus) objetos geográficos, como Feature Classes, Layers, Datasets, Geodatabases entres outros.

tudo o que tiver após # são considerados comentários, e não são interpretados pelo Python.

Um exemplinho simples de um script em Python (embora não muito útil) manipulando dados do ArcGIS seria:


import os, sys, arcgisscripting

gp = arcgisscripting.create(9.3) #vamos criar um objeto do tipo geoprocessing, versão 9.3

ListaCamadas = gp.ListDatasets(r"C:\teste python\geodatabase.gdb")
#pega uma lista dos featuredatasets no geodatabase.gdb

for camada in ListaCamadas: #para cada camada em ListaCamadas
    print camada #imprima camada

#a resposta do Python vai ser algo assim.

>>>>['Hidrografia','Altimetria','Geologia','Transportes']

Bem, vejam como é fácil andar pelas listas e realizar operações em série. Os loops em Python são descomplicadíssimos.

Sugiro que agora, corram ao site da ESRI, e deem uma olhada nos geoprocessing Objects. Eles podem facilitar muito a vida de um utilizador de SIG.

Um abraço

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