O Geoprocessamento e Suas Tecnologias – Parte 2
Conforme vimos na primeira parte deste post, o Geoprocessamento é um conjunto de tecnologias dinâmicas com alto potencial de aplicação.
Até aqui vimos que Geoprocessamento e SIG não são as mesma coisa. O SIG é apenas uma importante tecnologia dentre as diversas incluídas no Geoprocessamento.
Vimos também que programas como o gvSIG e ArcGis não são "SIGs" mas softwares para SIG. Assim como o Geoprocessamento possui várias ramificações tecnológicas o SIG é um sistema composto por softwares, hardwares, metodologias, recursos humanos e dados.
Ficamos de ver o que são e pra servem tecnologias como o Banco de Dados Geográfico e o WebMapping.
Banco de Dados Geográficos
Bom, vamos por partes. O que é um Banco de Dados (BD)?
Todo local, físico ou virtual onde estão armazenados dados, pode em certo sentido, ser chamado de banco de dados. Por exemplo, uma enciclopédia pode ser considerada um banco de dados. Mas para nós aqui da área de Geoprocessamento é mais importante o conceito especial de banco ou base de dados relacional. Ou seja um banco onde dados são armazenados na forma de tabelas relacionáveis entre si através campos chaves.
As mais diversas facetas de atividades, desde locadoras de DVD até grandes indústrias metalúrgicas usam-se deste tipo de base para ter um maior controle sobre fatores como cadastro de clientes e sua condição em relação à empresa (Inadimplência, por exemplo).
Neste ponto, é importante evitar confundir o BD em sí (conjunto de tabelas relacionáveis) com o programa que o gerenciará, o Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD). EM outras palavras, softwares como Access, MySQL, Oracle, PostgreSQL não são BD, mas sim SGBD.
Mas ainda não falamos no assunto deste tópico. O que é e para que serve um Banco de Dados Geográfico (BDG)?
O BDG, também chamado de Banco de Dados Espacial (BDE), é semelhante ao descrito acima (relacional), com a grande e importante diferença de suportar feições geométricas em suas tabelas.
Este tipo de base com geometria oferece a possibilidade de análise e consultas espaciais. É possível calcular nestes casos, por exemplo, áreas, distâncias e centróides, além de realizar a geração de buffers e outras operações entre as geometrias.
Como dica de estudos para você obter uma boa base conceitual sobre BDG, indico o livro "Banco de Dados Geográficos" do INPE, que está disponível para download em PDF aqui.
Atualmente, alguns programas de SGBD desenvolveram extensões que inserem no software características de Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados Geográficos (SGBDG) o PostgreSQL, MySQL, e Oracle, sendo os dois primeiros softwares livres e o último proprietário.
Vamos falar um pouco mais do PostgreSQL e como ele passa a agir como SGBDG. O PostgreSQL é desenvolvido atualmente pela PostgreSQL Global Development Group. Quando se percebeu a necessidade de extender este SBGD para suportar dados espaciais desenvolveu-se a extensão conhecida como PostGis.
Sendo assim, vamos entender que o PostGis não é um BDG ou um SGBDG, ele é apenas uma extensão, um plugin, do PostgreSQL que lhe confere funções para armazenamento e manipulação de dados geográficos.
A figura abaixo procura mostrar a diferença entre o PostgreSQL e "seu filho". Note que para termos um BDG no PostgreSQL faz-se necessária a devida instalação da extensão PostGis.
Você pode importar arquivos vetoriais shapefile (*.shp) para dentro de um "Banco PostGis" utilizando recursos oferecidos pelo próprio programa ou utilizando algum software de SIG com essa funcionalidade. O shapefile será convertido em uma tabela espacial que pode ser integrada com as convencionais contidas na base, além de poder ser visualizada e manipulada através de programas como o gvSIG, Kosmo, Quantum Gis, Udig e muitos outros desta safra. Para baixar tutoriais sobre como realizar esta operação com alguns destes softwares, clique aqui.
Para baixar a versão mais recente do PostgreSQL e sua extensão espacial PostGis, acesse os links abaixo.
Para finalizar este post vamos considerar outra tecnologia do Geoprocessamento, a saber, WebMapping.
WebMapping (WebGis)
A internet vem se destacando nos últimos anos como uma excelente ferramenta para disponibilização e interligação de dados das mais diversas fontes e naturezas.
A geomática, como área do conhecimento, também encontrou na internet um nicho para suas atividades. A disponibilização de mapas digitais, os chamados WebGis ou WebMapping, tem-se tornado comum, permitindo que um maior número de usuários tenha acesso a dados espacializados, de forma hábil e atraente.
Talvez o estopim para o crescimento das aplicações SIG para internet tenha sido a popularização de serviços online gratuitos de localização como o Google Earth e Google Maps.
Os mapas na web se apresentam de três formas princiapais:
1) Mapas Estáticos - Mapas no formato de imagem (*.jpg, *.gif, *.png, etc) integrados à páginas da internet.
2) Mapas Gerados à partir de formulários - Fornece-se parâmetros para geração de mapas na forma de imagem.
3) Mapas Dinâmicos - O usuário seleciona uma área de seu interesse em um mapa geral, gerando uma navegação para outro mapa ou imagem mais específico com informações mais detalhadas desta região. Em geral apresentam interface atraente com ícones para consulta espacial calculo de distância e etc.
Para mais detalhes sobre tipos de mapas veja a publicação disponibilizada neste link.
Há muitos softwares e frameworks livres para o desenvolvimento de aplicações WebGis. Podemos destacar alguns: MapServer, GeoServer, i3Geo, Alov Map, Time Map, Open Layers e P.Mapper.
Diversos órgãos públicos fazem uso destas ferramentas para divulgação dos resultados de seus trabalhos.
A imagem abaixo mostra um exemplo de aplicação desenvolvida com MapServer e o framework P.Mapper. Clique aqui para acessar a página da aplicação (Este é um exemplo de mapa dinâmico).
Nesta visão geral sobre algumas das tecnologias do Geoprocessamento, pudemos dissipar alguns falsos conceitos em torno de termos como SIG, BDG, SGBDG, WebGis, etc. Espero que tenham gostado do que leram.
Fiquem à vontade para deixar sua sugestão de tema, críticas e impressões através do e-mail anderson[@]geoprocessamento.net
Anderson Medeiros
Tecnólogo em Geoprocessamento
Related posts:



February 3rd, 2010 - 09:39
Gostei muito da dessas suas duas postagens. Parabéns cara… estou começando a estudar geoprocessamento e achei sua explicação muito esclarecedora.
Um Abraço.
[Translate]
March 24th, 2010 - 21:15
Caro Anderson
o Access também seria um SGBD com a capacidade de trabalhar com dados geográficos?
parabéns pela qualidade das postagens.
[Translate]
March 29th, 2010 - 20:53
Olá Luiz,
O Access por si só não tem capacidade de trabalhar com banco de dados. O Access, quando dispões de uma estrutura de armazenamento de dados espaciais (a única que conheço é o Personal Geodatabase, da ESRI), pode neste caso, armazenar dados espaciais, limitado à 2GB por banco.
Abraços,
George
[Translate]
April 12th, 2010 - 09:55
Parabens pelos post’s, sao de grande valia para quem esta ingressando na area.
[Translate]
May 15th, 2010 - 11:03
Anderson,
Suas postagens são ótimas! Sempre fico na expectativa pelas próximas.
Continue com o bom trabalho.
[Translate]
June 5th, 2010 - 10:06
Anderson,
Fantástico o seu trabalho.
No google earth, na sua interface, não há como medir polígonos regulares ou irregulares. Somente é possível medir perímetro segmentado.
Há um outro que possa me apresentar soluções desta natureza, já que o google earth é do tipo free?
[Translate]